Em 1918, a Alemanha viveu uma Revolução Operária. Ao longo do século 20, a burguesia tentou a todo custo esconder e modificar a história desse evento magnífico da luta dos trabalhadores e, em especial, apagar os exemplos que dali podem ser tirados, tanto no que diz respeito à luta dos trabalhadores quanto das traições da direção da social-democracia.
Até novembro de 1918, a Alemanha era um império monárquico, o Segundo Reich. O chamado Império Alemão (1871-1918) enfeitou a forma de governo com ares democráticos. Mas o conteúdo era extremamente autoritário e com base nas forças de repressão, o exército. O governo do Segundo Reich era formado pelo Imperador (Kaiser), executivo que concentrava todos os poderes juntamente com seu chanceler (indicado). O legislativo era exercido pelo Conselho Federal (Bundesrat), com conselheiros indicados à chamada Câmara Alta. Na Câmara Baixa (Reichstag) estava o parlamento, eleito pelo voto masculino e sem poder deliberativo.
A Alemanha era uma potência econômica, militar e científica. Paralelamente, o maior partido operário existente até ali se desenvolvia, a Social-Democracia Alemã (SD). Com seus sindicatos, jornais e movimentos, as conquistas da classe operária alemã eram enormes e o partido alemão era o pilar da Segunda Internacional.
Em 28 de julho de 1914, a Alemanha declara guerra à Sérvia e em seguida ataca a Bélgica, Luxemburgo e França, institui um estado de urgência e pede ao Parlamento que aprove um orçamento ampliando os valores para se armar e fazer a guerra. Os dirigentes da social-democracia se dividem, a direção do partido se reúne para definir o voto dos parlamentares sobre os créditos de guerra.
A Social-Democracia Alemã, que desde 1913 era o maior partido do Reichtag, aprova, junto com todo o parlamento reacionário, os créditos de guerra.
Karl Liebknecht, deputado da Social-Democracia e líder da oposição interna do partido, passa a ser o grande nome contra a guerra, junto com Rosa Luxemburgo, sem dúvida a teórica mais importante da Social-Democracia Alemã.
Em 1917, a Rússia assombra o mundo com a Revolução de Outubro, acontecimento que teve impacto nos quatro cantos do globo.
A guerra não tinha mais por onde se desenvolver, as massas estavam esgotadas. Os números oficiais falam em 10 milhões de mortos, 20 milhões de feridos, sendo que a Alemanha teve 2 milhões de mortos e 4,2 milhões de feridos.
A Alemanha está derrotada no front, o povo não suporta mais e os tempos são de revolução. Os generais do Reich tentam a última investida na guerra, mas não há mais o que fazer e em 29 de setembro informam que a situação é crítica e que é necessário organizar um acordo com a Social-Democracia Alemã para tentar salvar o Reich. Ou seja, a necessidade de um governo com ministros da Social-Democracia Alemã. Bauer e Scheidemann são os negociadores. A direção da Social-Democracia Alemã tenta de todas as formas manter em pé a estrutura do Reich. Todas as tentativas são de acalmar os trabalhadores e conter a revolução em curso.
A radicalização aumenta. Em 7 de outubro, durante uma conferência da Liga Spartakus (fundada por Rosa e Liebknecht), a análise é de que se vive uma situação revolucionária e delibera-se por um programa que entre outras coisas exige: a paz imediata sem anexações, aumento dos salários, direito de organização, abolição do código militar, entrega dos meios de abastecimento aos trabalhadores, fim do império, entre outras questões.
Rosa e Karl Liebknecht são liberados da prisão, mas a Liga é muito fraca, demorou demais a se constituir. Rosa defendia que as massas empurrariam o partido e que isto mudaria tudo, esta era a sua grande divergência com Lenin, que desde a traição da Segunda Internacional, ao votar os créditos de guerra, defendia a separação dos partidos e a constituição da Terceira Internacional.
Os marinheiros da ‘Frota de Alto Mar’ são os primeiros a se manifestar. Os operários abrem caminho para a revolução contra os próprios dirigentes, tal e qual previa Rosa Luxemburgo. De forma praticamente espontânea, os trabalhadores começam a se organizar por todas as partes da Alemanha.
E como pólvora a Revolução se espalhou, por onde os marinheiros iam, eram aclamados. Trabalhadores e soldados se juntavam. Em três dias, a Revolução havia se espalhado por toda a Alemanha.
De 4 a 10 de novembro, a Alemanha passou de uma ditadura militar a uma República dos Conselhos.
Em pouco tempo todos os poderes estavam nas mãos dos Conselhos. Oficialmente, em 9 de novembro a monarquia chega ao fim com o Kaiser abdicando.
No dia 10 de novembro, a República era proclamada em vários lugares. No palácio real estava Liebknecht que de uma janela estende uma bandeira vermelha e proclama a República Socialista. Em outros lugares os dirigentes da Social-Democracia Alemã proclamavam a república.
A Social-Democracia Alemã assumia o poder definitivamente e muito rapidamente trabalha para tirar o poder da mão dos trabalhadores. Em 15 de janeiro de 1919, a própria Social-Democracia Alemã esmaga em sangue essa primeira fase da Revolução. Liebknecht e Rosa são mortos. Muita história entre revolução e contrarrevolução ainda viria. As lições deste período são fundamentais. A Esquerda Marxista neste segundo semestre dedica esforços em relembrar este evento e contribuir com a formação daqueles que têm a revolução como seu norte.
Organização Comunista Internacionalista (Esquerda Marxista)