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A violência contra a mulher no Brasil: lutar contra ela é lutar pelo socialismo!

Ouvimos recentemente no noticiário um caso que chocou todo o Brasil pela brutalidade das cenas divulgadas na internet e na mídia em geral: um homem que espancou violentamente, com 61 socos, sua namorada dentro de um elevador, durante um churrasco entre amigos. A vítima, uma mulher de 35 anos, teve o rosto desfigurado e precisou de cirurgia para reconstrução óssea da face.

Neste último mês de junho foi divulgado o Anuário Brasileiro de Segurança Pública – 2025, que apresenta dados de violência doméstica e sexual1 referentes a 2024. O relatório aponta que, de 2023 para 2024, houve crescimento de 0,7% no chamado crime de “feminicídio” e aumento de 19% na chamada “tentativa de feminicídio”, totalizando o maior número de mulheres atingidas desde 2015, ano em que esses crimes passaram a ser tipificados. As mais atingidas são mulheres negras.

Aliado a isso, também vimos vir à tona a denúncia, seguida de investigação, de mulheres que frequentam casas de forró em São Paulo e que foram vítimas de exposição de fotos e vídeos íntimos em grupos fechados e pagos no Telegram, formados por homens que conheceram nesses locais. Os grupos tinham nomes como “Cremosinhas da putaria” e aceitavam apenas homens que pagassem para entrar. O início da investigação já revela que não se trata de um caso isolado, mas de uma máfia organizada que atua em casas de forró de São Paulo, Rio de Janeiro e Turim, na Itália.

Como mulheres comunistas, entendemos que esses casos, com características distintas entre si – um de violência extrema e outro de objetificação sexual – estão imbricados no modo de produção capitalista, manifestando-se em formas cruéis de opressão contra a mulher, como a violência física, o assassinato e a exploração por meio da venda de imagens íntimas, tratando-as como objetos sexuais.

É a partir da divisão da sociedade em classes que se inicia a opressão da mulher: escravizadas pelo trabalho doméstico, são colocadas dentro do modelo de família monogâmica burguesa e do mecanismo de preservação da propriedade privada por meio da herança. Além disso, fazem parte da exploração da classe trabalhadora como um todo, sendo historicamente mão de obra com baixa remuneração. Diante desse quadro de dupla exploração e opressão da mulher trabalhadora, e da ideologia burguesa depreciadora do gênero feminino, ou seja, machista, a violência contra a mulher surge como característica inerente à sociedade de classes.

Este é um problema que as sociedades contemporâneas não conseguiram, nem conseguirão, resolver nos marcos da ordem vigente. Assim, não é incomum a ocorrência de violência contra a mulher, principalmente no núcleo mais íntimo da sociedade de classes: a família individual monogâmica, onde, segundo Trotsky, preservam-se e proliferam-se os piores vícios da moral burguesa. É nesse contexto que a maioria dos agressores de mulheres são seus atuais ou ex-companheiros, que praticam e perpetuam comportamentos agressivos contra elas.

Esses dois crimes precisam ser investigados, e seus autores, punidos. No entanto, não acreditamos que a opressão contra a mulher será resolvida por juízes, tribunais ou leis. O movimento Mulheres pelo Socialismo organiza a luta de classe das mulheres trabalhadoras contra todas as formas de opressão que o capitalismo nos impõe, com independência de classe e o firme propósito de derrubar esse sistema e construir uma nova sociedade na qual sejamos, de fato, livres.

Contra a violência contra a mulher! Junte-se ao Mulheres pelo Socialismo! Junte-se à OCI!

  1. Disponível em https://forumseguranca.org.br/publicacoes/anuario-brasileiro-de-seguranca-publica/, acessado em 31/jul/2025. ↩︎