Ataque israelense ao Irã / Imagem: Reprodução

Condenamos o ataque do Estado sionista de Israel contra o Irã

Ao vermos o ataque brutal do Estado sionista de Israel contra o Irã, é compreensível que muitas pessoas passem a torcer para que o Irã retalie e consiga atingir Israel. Mas será que isso resolverá alguma coisa? Qual é, exatamente, o caráter dessa guerra?

A primeira coisa que precisamos entender é que o ataque não foi um ato impulsivo. Há dois meses, Trump já havia anunciado que, caso o Irã não cedesse nas negociações nucleares, Israel atacaria. Além disso, nos últimos dias, o presidente norte-americano retirou a maior parte do pessoal das embaixadas e consulados, mantendo apenas o essencial — ou seja, agentes da CIA e militares. Isso evidencia que o ataque foi planejado em conjunto com Israel.

O objetivo não é atingir o programa nuclear iraniano, essa não é a questão central. Esse programa existe há muitos anos. As negociações entre EUA e Irã estavam em um certo impasse, mas, como sempre, poderiam ser resolvidas por meio de sanções econômicas, como os EUA tradicionalmente fazem. Então, o que levou, de repente, a essa escalada?

É necessário lembrar que a ONU, que tantos reivindicam como mentora da paz, deu um sinal verde ao ataque ao dizer que o Irã não estava atendendo às premissas de fiscalização que haviam sido acordadas entre a ONU e o Irã. Ou seja, a ONU abriu o caminho para o ataque. Mas quais são os motivos reais por trás do ataque?

O governo Netanyahu começou a perder apoio popular brutalmente e, inclusive, quase metade dos seus efetivos se recusaram a servir na “guerra contra o Hamas” — o que é um problema para o governo, que quase perdeu para a oposição em uma votação pela sua deposição e o chamado de novas eleições. Isso leva a uma situação na qual Netanyahu precisa de um novo inimigo. Tanto que eles não visam simplesmente um ataque cirúrgico, conforme feito anteriormente, no qual se destroem determinados centros e cientistas, impedindo o desenvolvimento nuclear. O que acontece neste momento é um ataque contínuo, visando uma guerra.

O Irã, por sua vez, tem necessidade de fazer essa guerra porque, ao contrário de ser um Estado que se contraponha a Israel, é, na verdade, seu fac-símile islâmico, se podemos dizer assim. Um Estado teocrático, tal qual Israel, com uma ditadura brutal, que tem uma falsa democracia, que só pode ser composta por partidos que aceitam a Constituição teocrática. Aqueles que a questionam, tanto em Israel quanto no Irã, jamais irão participar das eleições.

Um ataque desses também servirá à ditadura iraniana, que vinha sendo questionada há muito tempo. Se a situação continuasse como antes no Irã, ela poderia cair de um momento para o outro, devido à situação econômica, à miséria que vem atingindo a população e às revoltas que estão surgindo com cada vez mais frequência. Agora, tudo isso é interrompido para que a nação possa se defender dos atacantes sionistas, dando força ao aiatolá e ao governo do Irã.

Os marxistas, os comunistas, não apoiam nem o governo de Israel nem o governo do Irã. Eles são a favor de que os trabalhadores se organizem e derrubem esses governos.

Nós somos a favor do fim do Estado sionista de Israel e de um Estado democrático e laico, em todo o território original da Palestina, com direitos iguais para todas as nacionalidades, para todas as religiões e para todos que se declaram não religiosos.

Essa é a posição dos marxistas: nós somos contra a guerra, contra o ataque, e exigimos que o governo Lula rompa as relações com o Estado assassino e ditatorial de Israel. Essa nova guerra iniciada é mais uma amostra de que esse Estado não merece existir, que só serve para oprimir os povos a mando dos Estados Unidos.