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Liberdade para todos os ativistas da flotilha! Trabalhadores do mundo, uni-vos contra o imperialismo e suas guerras!

Hoje, dia 1º de outubro, mais uma frota da flotilha global Sumud foi interceptada por forças navais israelenses, e seus tripulantes foram novamente postos sob a custódia das forças armadas do Estado de Israel. Mesmo com uma série de países se colocando em favor da flotilha (inclusive Itália, Espanha e Grécia, que enviaram navios de guerra para “garantir a segurança da flotilha”), esses navios de proteção, ao primeiro sinal de confronto, deram meia-volta para seus portos de origem. Portanto, o inevitável aconteceu. A demagogia das lideranças mundiais, com seus discursos floreados de paz mundial, em nada mudou a realidade dos acontecimentos.

Ao mesmo tempo em que presidentes e primeiros-ministros europeus discursavam na tribuna da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em nome da Palestina e da paz mundial, suas burguesias locais, seus patrões, continuavam enviando armas e capital para Israel. Até os discursos mais radicais, como o de Gustavo Petro, escancararam a hipocrisia da burguesia e de seus porta-vozes. Como já havíamos alertado anteriormente, tornam-se claros os limites das táticas adotadas pela flotilha. Mesmo com toda a coragem de seus membros, novamente as forças israelenses prevaleceram.

Entretanto, os sentimentos de solidariedade a Gaza e à flotilha têm despertado forças bem mais poderosas: a ação da classe trabalhadora mundial. A consciência do poder que está nas mãos do proletariado internacional vai se tornando cada vez mais popular, e a verdadeira saída para combater o genocídio em Gaza e o imperialismo vai se cristalizando para toda uma nova camada de jovens trabalhadores.

Logo após o anúncio da interceptação da flotilha, dezenas de milhares de trabalhadores foram novamente às ruas na Itália. Como na greve geral de um dia, chamada uma semana atrás, milhares ocuparam as ruas de Milão, Roma, Palermo, Turim, Nápoles e de outras cidades menores. O que estamos presenciando é um salto de qualidade na luta contra o Estado genocida de Israel: um renascimento da consciência do movimento internacional dos trabalhadores. Junto aos movimentos de bloqueio de portos e à recusa de descarregar e transportar armamentos para Israel, feitos por operários da Itália, França, Grécia e Espanha, a classe trabalhadora tem avançado para o bloqueio da produção nesses países, como na já citada greve geral realizada na última semana pelos italianos, que foi convocada novamente para a próxima sexta-feira, dia 3 de outubro.

Para além dos confrontos com a polícia, os trabalhadores italianos, nesse dia 1º, começaram a realizar ocupações de universidades, estações centrais de trens e portos. Em Nápoles, estudantes da Universidade de Nápoles Federico II realizaram uma greve de ocupação da universidade durante todo o dia. Em Livorno e Palermo, os operários dos portos ocuparam seus locais de trabalho; em Florença e Turim, os trabalhadores ocuparam as estações centrais de trem. Essas experiências mostram o caminho da luta internacional dos trabalhadores. Combater o genocídio em Gaza é combater nossas próprias burguesias.

Na Grécia, as manifestações de solidariedade à Palestina se misturaram com os protestos contra a proposta de aumento da jornada de trabalho para 13 horas no país. Na Itália, os trabalhadores em greve levantaram bandeiras contra o governo de extrema-direita de Giorgia Meloni. Todas essas experiências mostram o estado de ânimo da classe, mas existe um bloqueio das direções das entidades estudantis e sindicais. Estes têm medo de perder o controle e serem atropelados por um movimento cada vez mais radical. É preciso ir além! As centrais sindicais desses países devem mobilizar a classe para uma greve geral por tempo indeterminado. Não mais greves de um dia: é preciso recuperar o caráter de uma verdadeira greve geral de ação política, com ocupação de fábricas, estações de trem e portos, sob um programa de reivindicações que conecte a luta pelo fim do genocídio em Gaza à luta contra o imperialismo e suas guerras, e contra os pacotes anti-classe trabalhadora que são colocados em prática em seus países. Que os burgueses respondam pela crise que eles mesmos criaram!

Esses movimentos da classe trabalhadora europeia devem servir de combustível para a nossa organização aqui no Brasil. Está sendo convocada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) uma jornada de manifestações em solidariedade à flotilha e à Palestina para amanhã, dia 2 de outubro. Nós, da Organização Comunista Internacionalista (OCI), convocamos todos a se somarem a esses atos. Convocamos as centrais sindicais e todos os partidos que se dizem defensores da classe trabalhadora a se somar a esse movimento.

A verdadeira liberdade para o povo palestino só pode ser alcançada com mobilização independente de toda a classe trabalhadora do mundo. No Brasil, a CUT deve chamar uma greve geral contra a passividade do governo brasileiro diante desse genocídio, pelo fim dos ataques à classe trabalhadora e por uma verdadeira resposta às ameaças imperialistas dos Estados Unidos. A classe trabalhadora do mundo se movimenta e busca formas de romper suas correntes e lutar contra o imperialismo e a podridão capitalista. Nossa necessidade é a construção de um partido revolucionário internacional que possa transformar toda essa solidariedade de classe internacional e o ódio por esse sistema e seus representantes em movimento revolucionário.

  • Liberdade para todos os ativistas da flotilha!
  • Ruptura imediata das relações do Brasil com Israel! Fim das exportações de aço e petróleo!
  • Fim do genocídio em Gaza! Palestina Livre!
  • Por um único Estado, laico e democrático, do rio ao mar, em todo o território da Palestina histórica!
  • Trabalhadores do mundo, uni-vos contra o imperialismo e suas guerras!