A desvalorização do magistério catarinense não ocorre somente na inexistência de um plano de carreira que proporcione dignidade aos trabalhadores em Educação. O desprezo e o ódio do governo Jorginho Mello (PL) aos professores chega às escolas, munindo sua base reacionária do bolsonarismo para adoecer e desmoralizar a categoria.
No último dia 24 de junho, um professor da E.E.B. de Muquém, localizada no bairro Rio Vermelho, em Florianópolis, foi agredido. Ele foi abordado no portão do seu local de trabalho por Manoel Abílio Pacífico, líder do referido movimento reacionário, que desferiu socos, chutes e pontapés contra o docente.
Manoel perguntou ao docente seu nome, qual a disciplina que ele lecionava e disse que seu sobrinho havia chegado em casa chorando, pois a criança havia dito que o professor passou a mão nele. O docente negou as acusações e convidou o homem para entrar na escola, visando dialogar com ele. Manoel disse que a conversa seria ali mesmo e partiu para a agressão, assustando professores e estudantes que estavam do lado de fora. Ele disse, ainda, que iria até sua casa buscar uma arma para matar o professor.
O agressor tem passagens pela polícia e já foi condenado na esfera criminal por perseguir, em 2023, uma orientadora educacional da mesma escola, em que a acusava de promover banheiro unissex e assediar os alunos.
É notório que o bolsonarismo não tem escrúpulos para criar os mais diversos factóides visando justificar seu ódio e sua violência. Essa é uma tática conhecida no magistério para difamar e eliminar opositores políticos.
Entretanto, nessa escola, o bolsonarismo não atua somente atacando os professores fisicamente. Há uma violência sistemática contra os servidores que iniciou quando, em 2023, a SED colocou interventores na E.E.B. de Muquém para fiscalizar os professores e a gestão da escola, como suposta solução para reduzir a violência cometida contra a orientadora educacional. Depois, o governo seguiu com seus atos antidemocráticos e nomeou indiretamente servidores escolhidos a dedo pela CRE, que levou a atual gestão escolar ao comando da instituição.
A gestão atual, cuja diretora geral foi indicada sob influência do vereador Bericó (PL), agiu até o momento para minimizar as ações violentas desses membros da comunidade. Inclusive, permitindo que Manoel Abílio Pacífico tivesse livre acesso à escola para prestar serviços de manutenção e limpeza no espaço junto aos assessores do vereador bolsonarista.
Segundo servidores da escola, é comum a prática de assédio moral por parte da gestão. O próprio professor agredido, combatente ao movimento de militarização das escolas públicas, foi chamado diversas vezes à sala da diretora para esclarecer factóides, o que apenas agravou esse cenário de violência institucional.
Além disso, várias denúncias foram feitas à gestão escolar sobre as ameaças que eram destinadas ao professor. Inclusive, a diretora geral recebeu mensagens de áudio do agressor nas quais avisava que iria agir contra o docente.
É preciso lembrar que quem promove esses ataques é uma pequena minoria de “pais conservadores” insuflados pelo vereador Bericó, que também foi um dos responsáveis pela perseguição da orientadora educacional.
Em relação às medidas a serem tomadas para garantir a segurança dos professores e estudantes, a diretora afirmou que a SED já estaria agindo para colocar catracas na entrada da escola e um sistema de interfone, além da ação de integrar policiais no ambiente escolar para atuarem nos horários de funcionamento. Nós, professores comunistas, defendemos que essas medidas de segurança são importantes e devem ser discutidas e deliberadas juntos aos trabalhadores em educação.
Mas ressaltamos que somos radicalmente contra a presença de policiais nas escolas! Essa ação nada resolve o atual cenário de violência, pelo contrário, cria outras, como foi visto no caso de Joinville, em 2024, quando um PM agrediu um aluno negro dentro do banheiro da Escola de Ensino Médio Governador Celso Ramos.
Reiteramos que o caso de agressão ao professor de arte não representa somente um ato de homofobia, de ataque à integridade física e à liberdade de cátedra, como motiva os reacionários a repetirem esse feito em outras unidades escolares. Na semana passada, o professor de Educação Física de uma escola da Palhoça também sofreu agressões da mãe de um aluno.
Esse é o acirramento da luta de classes, que recrudesce os elementos mais atrasados da sociedade, perdendo o medo de atuar com suas violências. Nossa resposta deve ser a organização independente e proletária, tanto pelos direitos de nossa classe, quanto pela nossa própria sobrevivência!
Diante disso, nós, professores militantes da Organização Comunista Internacionalista (OCI), seção brasileira da Internacional Comunista Revolucionária (ICR), solidarizamo-nos ao professor de Arte e a todos os servidores públicos da E.E.B. de Muquém!
Mas, fundamentalmente, convocamos todos os trabalhadores em educação a se organizarem politicamente contra essa barbárie. Nossa tarefa é pressionar e mobilizar uma efetiva ação da direção de nosso sindicato, o Sinte, por nossas liberdades democráticas e de cátedra. Assim como arrancar do Estado, com a luta coletiva, os nossos direitos e a educação pública, gratuita e para todos!
Frisamos, também, que o fundo desse combate não é somente por tais pautas, mas pela nossa organização junto à toda a classe trabalhadora contra o sistema que promove casos como esse, o capitalismo em sua fase terminal. Por isso, contra toda essa miséria de vida e trabalho enfrentada por nossa categoria e classe, temos somente a organização!
Você é Professor? Organize-se na OCI!
Organização Comunista Internacionalista (Esquerda Marxista) Corrente Marxista Internacional