Trabalhadores de multinacional chinesa na Bahia são ultraexplorados

A seguinte entrevista anônima traz o relato de um jovem trabalhador que, indignado com as condições de trabalho a que ele e seus colegas estão submetidos, buscou se organizar com os comunistas. Essa é uma demonstração viva de como funcionam os capitalistas, assim como a burguesia chinesa, capitalista e mafiosa.

Eu trabalho na Sinoma Wind Power Blade (Brasil) LTDA e o que me levou a procurar vocês foram as condições de precarização do meu trabalho, que vão desde salários baixos, altas cargas horárias de trabalho, insalubridade do ambiente, assédios e falta de escalas definidas. 

A Sinoma Blade atua na produção de hélices para geradores eólicos e está situada em Camaçari – BA.

As condições de trabalho de lá são bem precárias, como eu avisei. Falta material de trabalho, falta EPI, o local é extremamente sujo, o que poderia ser muito diferente, não tem organização, é cobrado pressa o tempo todo, mas não oferecem condições para que o trabalho seja feito de forma mais rápida o possível, toda a cobrança, tudo que acontece é sempre tratado como uma questão de responsabilidade pessoal da equipe de trabalho.

E, para além disso, por mais que as metas sejam atingidas, o trabalho sempre é desenvolvido, mas nada parece ser bom o suficiente. Nada está bom, nada está correspondendo o que a empresa pede e os funcionários são desvalorizados o tempo todo. Muitas das coisas são feitas de improviso, porque não tem os materiais.

Sobre as escalas de trabalho, a gente não tem uma escala fixa nem definida de quando vai começar e nem de quando vai terminar. É comum ficarmos sabendo de quando vai começar as atividades faltando duas horas para trabalhar. E o término a gente fica sabendo no decorrer do trabalho. Mas nada é avisado previamente e em tempo hábil e as coisas simplesmente vão acontecendo, até chegar ao fim. E disso, é comum passarmos horas e horas trabalhando, ficar 16 horas, 17, às vezes menos, 10, 12 também, 13, mas no geral ficamos muitas horas trabalhando. E isso acontece nos cinco dias da semana.

Sobre os assédios que já ocorreram lá, houve casos de pessoas sofrerem agressões físicas, levar chute, murro, empurrões. Sofrer um arremesso de tesoura no rosto, dentre outras também, de sofrerem ameaças, ou ouvir coisas que são assim, completamente desnecessárias as pessoas ouvirem, né? Ofensas.

Já aconteceram algumas greves lá feita pelos próprios funcionários que decidiram parar em algum momento ou outro, em decorrência de assédio, ou pela falta de equipes de saúde também, que lá não tinha por muito tempo, dentre outras coisas também, reivindicando melhoria salariais, um refeitório…

Sobre a atuação do sindicato durante as greves espontâneas que tiveram lá, eu achei muito fraco, porque o sindicato ele, ao meu ver, só apareceu quando viu que a situação já não estava mais sob controle da empresa, de ninguém e viu que os funcionários estavam revoltados demais. Eles apareceram trazendo assim, soluções que não satisfizeram ninguém.

As propostas que eles trouxeram nesses momentos foram coisas que não tinham sido conversadas com a equipe de trabalho. Eles só chegaram e falaram: “Tal coisa é de tal jeito; se não quiserem, não tem nada”. Basicamente isso.

Pronto, as consequências que a gente enfrenta à saúde lá, como já aconteceu de muitas pessoas torcerem o pé devido à quantidade de lixo que tem lá, de quebrar o pé também, ou a perna por conta da sujeira. Por conta da falta de EPI a gente fica com manchas no pulmão e sangramentos no pulmão também, porque lá tem muito pó, muita fibra de vidro.

Muitas pessoas também têm dermatite por conta da fibra de vidro e da resina, ou perdendo parte da visão devido o pó e à resina que tem lá.

Todo mundo muito insatisfeito e infeliz de estar lá. A impressão que eu tenho e as conversas que costumam rolar lá é que lá é um lugar de passagem. Enquanto não conseguem outro trabalho, as pessoas continuam lá. Mas todo mundo infeliz, cansado, muita gente adoecendo por conta das condições de trabalho e todo mundo querendo ir embora o quanto antes de lá.

A minha perspectiva em relação ao trabalho é que a situação lá mude por completo, que a empresa passe a ver os funcionários como funcionários, que respeite o trabalho da gente e que nos dê um ambiente digno de trabalhar, de desenvolver as atividades, que possamos desenvolver nossas competências.

A gente tá lá não é pra brincar, é pra trabalhar e todo e qualquer trabalho é digno e necessário, e assim como eu, todo mundo que tá lá necessita e quer trabalhar. Eu acho que se a empresa não permite oferecer isso, que isso seja feito por meio da luta de classes mesmo, que os funcionários vão lá, tomem e cobrem os seus direitos.

Chamamos todos os trabalhadores da Sinoma a não aceitarem em silêncio essa situação criminosa! É hora de fortalecer essa denúncia e se organizar na OCI para enfrentar a exploração e a violência patronal.

Nenhum trabalhador deve lutar sozinho: só a união da classe pode impor respeito e conquistar condições dignas de trabalho.

E esse chamado não é apenas para a Sinoma, mas para todos os trabalhadores do Brasil que sofrem com as mesmas humilhações e abusos: unam-se, levantem a cabeça e construam a luta de classes contra os capitalistas, aqui e em qualquer lugar onde a exploração tente nos esmagar.