A seguinte entrevista anônima traz o relato de um jovem trabalhador que, indignado com as condições de trabalho a que ele e seus colegas estão submetidos, buscou se organizar com os comunistas. Essa é uma demonstração viva de como funcionam os capitalistas, assim como a burguesia chinesa, capitalista e mafiosa.
Qual empresa você trabalha e o que o levou a fazer essa denúncia?
Eu trabalho na Sinoma Wind Power Blade (Brasil) LTDA e o que me levou a procurar vocês foram as condições de precarização do meu trabalho, que vão desde salários baixos, altas cargas horárias de trabalho, insalubridade do ambiente, assédios e falta de escalas definidas.
Qual é o ramo de produção e onde está situada?
A Sinoma Blade atua na produção de hélices para geradores eólicos e está situada em Camaçari – BA.
Descreva para a gente essas condições de trabalho. Como é um dia típico? Que adversidades vocês enfrentam?
As condições de trabalho de lá são bem precárias, como eu avisei. Falta material de trabalho, falta EPI, o local é extremamente sujo, o que poderia ser muito diferente, não tem organização, é cobrado pressa o tempo todo, mas não oferecem condições para que o trabalho seja feito de forma mais rápida o possível, toda a cobrança, tudo que acontece é sempre tratado como uma questão de responsabilidade pessoal da equipe de trabalho.
E, para além disso, por mais que as metas sejam atingidas, o trabalho sempre é desenvolvido, mas nada parece ser bom o suficiente. Nada está bom, nada está correspondendo o que a empresa pede e os funcionários são desvalorizados o tempo todo. Muitas das coisas são feitas de improviso, porque não tem os materiais.
Você disse que as escalas não são fixas e as jornadas são longas. Fale um pouco mais sobre isso.
Sobre as escalas de trabalho, a gente não tem uma escala fixa nem definida de quando vai começar e nem de quando vai terminar. É comum ficarmos sabendo de quando vai começar as atividades faltando duas horas para trabalhar. E o término a gente fica sabendo no decorrer do trabalho. Mas nada é avisado previamente e em tempo hábil e as coisas simplesmente vão acontecendo, até chegar ao fim. E disso, é comum passarmos horas e horas trabalhando, ficar 16 horas, 17, às vezes menos, 10, 12 também, 13, mas no geral ficamos muitas horas trabalhando. E isso acontece nos cinco dias da semana.
Pode relatar alguns casos de assédio praticados?
Sobre os assédios que já ocorreram lá, houve casos de pessoas sofrerem agressões físicas, levar chute, murro, empurrões. Sofrer um arremesso de tesoura no rosto, dentre outras também, de sofrerem ameaças, ou ouvir coisas que são assim, completamente desnecessárias as pessoas ouvirem, né? Ofensas.
Já aconteceram algumas greves lá feita pelos próprios funcionários que decidiram parar em algum momento ou outro, em decorrência de assédio, ou pela falta de equipes de saúde também, que lá não tinha por muito tempo, dentre outras coisas também, reivindicando melhoria salariais, um refeitório…
Qual foi a atuação do sindicato [Sindquímica] nesses momentos de greve espontânea?
Sobre a atuação do sindicato durante as greves espontâneas que tiveram lá, eu achei muito fraco, porque o sindicato ele, ao meu ver, só apareceu quando viu que a situação já não estava mais sob controle da empresa, de ninguém e viu que os funcionários estavam revoltados demais. Eles apareceram trazendo assim, soluções que não satisfizeram ninguém.
As propostas que eles trouxeram nesses momentos foram coisas que não tinham sido conversadas com a equipe de trabalho. Eles só chegaram e falaram: “Tal coisa é de tal jeito; se não quiserem, não tem nada”. Basicamente isso.
Que riscos à saúde vocês enfrentam no trabalho? Quais têm sido as consequências da ausência de EPIs a curto e longo prazo?
Pronto, as consequências que a gente enfrenta à saúde lá, como já aconteceu de muitas pessoas torcerem o pé devido à quantidade de lixo que tem lá, de quebrar o pé também, ou a perna por conta da sujeira. Por conta da falta de EPI a gente fica com manchas no pulmão e sangramentos no pulmão também, porque lá tem muito pó, muita fibra de vidro.
Muitas pessoas também têm dermatite por conta da fibra de vidro e da resina, ou perdendo parte da visão devido o pó e à resina que tem lá.
Como os trabalhadores têm lidado com essas condições de trabalho?
Todo mundo muito insatisfeito e infeliz de estar lá. A impressão que eu tenho e as conversas que costumam rolar lá é que lá é um lugar de passagem. Enquanto não conseguem outro trabalho, as pessoas continuam lá. Mas todo mundo infeliz, cansado, muita gente adoecendo por conta das condições de trabalho e todo mundo querendo ir embora o quanto antes de lá.
Quais são suas perspectivas em relação ao trabalho? O que espera que mude?
A minha perspectiva em relação ao trabalho é que a situação lá mude por completo, que a empresa passe a ver os funcionários como funcionários, que respeite o trabalho da gente e que nos dê um ambiente digno de trabalhar, de desenvolver as atividades, que possamos desenvolver nossas competências.
A gente tá lá não é pra brincar, é pra trabalhar e todo e qualquer trabalho é digno e necessário, e assim como eu, todo mundo que tá lá necessita e quer trabalhar. Eu acho que se a empresa não permite oferecer isso, que isso seja feito por meio da luta de classes mesmo, que os funcionários vão lá, tomem e cobrem os seus direitos.
Chamamos todos os trabalhadores da Sinoma a não aceitarem em silêncio essa situação criminosa! É hora de fortalecer essa denúncia e se organizar na OCI para enfrentar a exploração e a violência patronal.
Nenhum trabalhador deve lutar sozinho: só a união da classe pode impor respeito e conquistar condições dignas de trabalho.
E esse chamado não é apenas para a Sinoma, mas para todos os trabalhadores do Brasil que sofrem com as mesmas humilhações e abusos: unam-se, levantem a cabeça e construam a luta de classes contra os capitalistas, aqui e em qualquer lugar onde a exploração tente nos esmagar.
Organização Comunista Internacionalista (Esquerda Marxista) Corrente Marxista Internacional