Imagem: Secretaria de Estado da Educação

A semana de recesso escolar em Santa Catarina e o show de horrores da formação pedagógica

Como se não bastasse atacar os trabalhadores da educação sistematicamente, o governo de Santa Catarina promove um show de horrores nas “formações pedagógicas” que são ofertadas em pleno recesso. 

De modo geral, os professores foram “convocados” – com mais ou menos assédio, a depender do grau de autoritarismo dos diretores – para a formação no momento que deveriam estar no recesso escolar, como é de costume nas escolas.  

Em todo o país, os professores estão esgotados e trabalhando no limite. Em Santa Catarina, os dados são alarmantes, já que, apenas em 2024, foram registrados mais de 33 mil afastamentos por questões como ansiedade e depressão, fora outros inúmeros afastamentos por questões de saúde física que a categoria vem sofrendo. Esses dados não são isolados, são frutos da precarização, desvalorização e sobrecarga que os professores estão submetidos dia após dia, muitos não vendo uma perspectiva, e nem mesmo o sindicato aponta uma saída.  

A falta de concursos, os salários baixos, a pressões das direções, a insegurança dos professores ACTs para conseguir vagas, tudo isso adoece cada vez mais professores, levando a categoria ao limite, os afastando da docência por culpa do descaso do governo com as estruturas das escolas e planos de carreira. Os trabalhadores da educação estão cansados, e a resposta do governo de Jorginho Mello, é realizar uma formação “pedagógica” de conteúdo duvidoso em termos pedagógicos, mas bem claro quanto ao caráter político durante os três dias de “formação”. 

Ao invés de atender às reais necessidades de cada professor, essa formação serve a outro propósito: fazer propaganda governamental e promover as parcerias público-privadas, incluindo palestras ministradas por empresas privadas e “descontos” para os professores da rede pública acessarem cursos da iniciativa privada na área da formação pedagógica. 

O recesso escolar deveria ser  um momento em que os professores descansam de suas rotinas exaustivas. Porém, o governo insiste em colocar essas “formações” no único período possível de descanso e lazer dos professores. 

Nesse show de horrores, os comentários mais comuns dos palestrantes são que os trabalhadores da educação devem “amar o que fazem” e “se dedicar” para tal, ao mesmo tempo que um membro da Secretaria de Educação faz comentários afirmando que “ninguém que quer ser professor o faz pensando em salário”.

Na abertura dos trabalhos, foi apresentado um vídeo aos cerca de 35 mil professores que acompanhavam simultaneamente a formação mostrando escolas com estruturas e equipamentos impecáveis. Um verdadeiro marketing de campanha do estado. Porém, qualquer trabalhador sabe que o vídeo não reflete a realidade das escolas. 

Ficou a critério das regionais organizar a formação de cada localidade. Em algumas regionais, em particular em algumas escolas mais sensatas, ignoraram o governo e deixaram tempo de planejamento aos professores, em outras, a exemplo a de Joinville, os professores de séries iniciais, Matemática e Língua Portuguesa foram enviados para formação na Univille, das 07:30 às 17:30, em dois dos três dias de curso. O transtorno de locomoção e alimentação ficou a cargo dos professores, sendo ofertado apenas um café, ignorando a precariedade da organização do evento. A informação que nos chega é que essa é a contrapartida da Univille em razão da parceria feita com o Estado através do fraudulento Programa Universidade Gratuita.

Perante tudo isso, a direção do Sinte-SC segue como auxiliar do governo, apenas assistem de braços cruzados o chicote do patrão estalar nas costas dos professores. O Sinte Joinville  ainda postou em suas redes sociais um comunicado, que muito bem poderia ter sido escrito pela CRE, justificando os encaminhamentos do governo. O lamentável texto foi comentado e criticado amplamente pela categoria: 

Imagem: Sinte Joinville, Instagram

Nós comunistas defendemos as formações continuadas. Isso só é possível com a descompactação da tabela salarial; com a garantia de licença remunerada para cursar especializações, mestrados e doutorados e cursos coerentes com a área de atuação docente, medidas ignoradas pelo governo Jorginho – ou melhor dizendo, aplicadas de forma inversa, já que Jorginho Mello é responsável por colocar em prática a tabela salarial que mais ignora a formação catarinense da história. Em grande medida,  a diferença salarial por realizar cursos é praticamente irrisória. 

Por outro lado, em um momento onde as tensões nacionais e internacionais aumentam, temos a certeza que nossa única arma é a organização dos trabalhadores, por isso convidamos todos os docentes a organizarem-se conosco na luta por uma educação pública, gratuita e para todos e acima de tudo pela transformação da sociedade. 

Organize-se conosco!