Nas últimas semanas, mobilizações contra o genocídio em Gaza foram realizadas na UFRGS / Imagem: ryanrodrigues, Instagram UEE RS

Comunidade da UFRGS na luta pela Palestina

Na manhã de 26 de setembro, a Organização Comunista Internacionalista (OCI) esteve presente na reunião de apoio à luta em solidariedade ao povo palestino na universidade. Este ato foi desdobramento da primeira jornada de lutas pela Palestina, no acampamento de luta pela Palestina que ocorreu em frente à Faculdade de Educação da UFRGS, na terça-feira, dia 23 de setembro.

No acampamento, estudantes de diversas organizações exigiram da Reitora da UFRGS, Profª Dra. Márcia C. B. Barbosa, a ruptura total das relações com a empresa AEL Sistemas, com sede na zona norte de Porto Alegre, que é subsidiária da Elbit Systems, uma empresa de armamentos israelense, que produz e desenvolve sistemas eletrônicos para as áreas de defesa e aeroespacial, como aviônicos (como displays panorâmicos para caças), sistemas de comunicação (como o datalink criptografado Link-BR2), soluções para plataformas aéreas (como drones e sistemas de vigilância), simuladores e sistemas espaciais etc., ou seja, é parte da indústria bélica de Israel que promove o genocídio Palestino. Eles também reforçaram o apoio aos ativistas da Global Sumud Flotilha, que buscam romper o cerco de Israel a Gaza e estabelecer um corredor humanitário para entregar alimentos e medicamentos ao povo de Gaza.

A Reitora alegou que o contrato havia terminado em 2023. No entanto, a partir de relatos de estudantes e de outras evidências apresentadas, ainda há relações com a empresa israelense, como o direcionamento de estudantes da Informática para estágio na AEL.

Em razão disso, foi chamado um ato no Conselho Superior da Universidade (Consun) para pressionar a instituição pelas seguintes ações: rompimento de qualquer relação com a AEL Sistemas e apoio à Global Sumud Flotilla em levar ajuda humanitária. Diante da pressão, o Conselho aprovou duas moções com o teor acima citado.

A OCI não tem ilusões em qualquer Conselho Universitário. Vale recordar que esses Conselhos são órgãos tripartites, implementados com força a partir do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que objetivam constituir um pacto social e dar um “ar democrático” às universidades, portanto freiam as lutas organizadas.

Diante da pressão, o Conselho aprovou duas moções: rompimento de qualquer relação com a AEL Sistemas e apoio à Global Sumud Flotilla em levar ajuda humanitária

Sabemos dos limites dessas ações e que os conselhos foram construídos para destruir as entidades de nossa classe, os sindicatos de estudantes e de trabalhadores.

Mas, diante da pressão exercida no Brasil e no mundo contra o genocídio cometido pelo Estado de Israel, estamos de acordo em exigir, inclusive desses órgãos, uma resposta às demandas da comunidade universitária. Pressões dessa natureza evidenciam com muita exatidão os limites desses organismos e ajudam a aumentar a consciência de que é somente a organização independente que pode garantir qualquer avanço real para nossa classe.

Temos a certeza de que muitos lutadores atuam nesses espaços com um desejo real de transformar a sociedade, na tentativa de colocar nas mãos dos jovens e trabalhadores o nosso futuro. Por isso, não podemos nos furtar desse debate nem de apoiar iniciativas que pressionem todas as esferas do poder.

Ainda essa semana (29), um ato chamado pelo DCE foi organizado e uma nova mobilização está prevista para o dia 2 de outubro, em frente à Faculdade de Educação, além de uma caminhada em apoio à Global Sumud Flotilla. Esse é o caminho que devemos seguir, colocando em perspectiva, inclusive, a realização de greves estudantis, dos técnicos e professores. É preciso continuar a luta para exigir o rompimento total da UFRGS com a AEL Sistemas e seguir exigindo do governo Lula que rompa as relações econômicas e diplomáticas com o Estado sionista de Israel.

Para nós, é muito evidente que só a luta organizada dos jovens e trabalhadores em suas organizações garantirá a vitória da nossa classe. Por isso, estudantes e trabalhadores, somem-se à OCI nesta luta e vamos combater para pôr abaixo as guerras e o capitalismo! Fora o imperialismo! Organize-se!