Imagem:: Fórum Econômico Mundial, Ciaran McCrickard

Eleições em Buenos Aires: derrotar nas ruas todos os burgueses!

O governo Milei amargou uma derrota nas eleições legislativas da província de Buenos Aires no dia 7/9. Enquanto o partido peronista-kirchnerista Fuerza Patria obteve 47% dos votos, o partido de Milei ficou em segundo lugar, com 33%. Não apenas os escândalos de corrupção envolvendo a irmã de Milei explicam esse resultado. A votação, que contou com 39% de abstenção, expressa a intensa luta de classes que ocorre no país.

A província de Buenos Aires concentra 40% do eleitorado nacional e 30% do PIB. Somente na região metropolitana de Buenos Aires vive ⅓ da população argentina, concentrando grandes indústrias. Uma derrota para o governo nessa região pode ser o prenúncio do que ocorrerá nas eleições legislativas nacionais em outubro. Porém, isso não significa necessariamente que o próximo ciclo eleitoral será de retomada do poder pelo peronismo-kirchnerismo. A imprensa já corre para colocar o governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, como favorito nas eleições presidenciais de 2027, tentando canalizar a insatisfação dos trabalhadores para as eleições burguesas. Mas até lá muita coisa pode acontecer.

É importante lembrar que a eleição de Milei foi, antes de tudo, fruto da descrença no sistema político. A política econômica do kirchnerismo no governo Fernández, conduzida por seu ministro da Economia e candidato à sucessão, Sergio Massa, foi um ataque à classe trabalhadora. Foi nesse desejo de negar os políticos burgueses que as massas apoiaram o demagogo Milei.

Desde o início do governo Milei, diante de seus ataques brutais à classe trabalhadora, várias demonstrações de massas ocorreram. Do enfrentamento ao Protocolo Bullrich, em 2024, que proibia manifestações e recebeu resposta contundente dos trabalhadores, até os protestos de março deste ano contra os ataques aos aposentados, que contaram com o apoio de torcidas organizadas. Isso demonstra que a classe trabalhadora está disposta a ir até o fim contra este governo, mas que a luta não pode se restringir ao parlamento, ainda que as eleições sejam um sinal importante.

Mesmo tendo reduzido a inflação, a média anual ainda está em 33%. Os salários, porém, não acompanham esse ritmo e seguem em queda. O governo continua endividando o orçamento e destinando os recursos da classe trabalhadora ao pagamento de juros da dívida com os bancos e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Além disso, impôs ataques como os vetos ao auxílio para pessoas com deficiência e ao financiamento universitário. Mais recentemente, a irmã e secretária de Milei foi acusada de receber propina em contratos de medicamentos destinados ao serviço público de saúde. A classe trabalhadora tem razões profundas para rechaçar este governo.

Desde o início do governo Milei, diante de seus ataques brutais à classe trabalhadora, várias demonstrações de massas ocorreram / Imagem: Sindicatos dos Camihoneiros

Ainda assim, na primeira declaração após a derrota eleitoral, Milei afirmou que continuará seguindo seu programa de austeridade, com compromisso de ajuste fiscal e pagamento aos capitalistas. Na mesma semana, o FMI emitiu uma declaração dizendo estar muito satisfeito com a política econômica do governo.

Ou seja, de um lado vemos o governo Milei atuando para atender a burguesia que o apoia, e, de outro, uma classe trabalhadora revoltada, que utiliza todos os meios para se opor a esses ataques, inclusive derrotando o governo nas urnas ou se abstendo das eleições. O mais importante, neste momento, é a classe trabalhadora se organizar e lutar para derrubar Milei e todos os representantes da burguesia, sem nenhuma confiança em suas instituições.

Os trabalhadores estão chamados a utilizarem as eleições como palanque político para derrotar Milei nas ruas, com um programa de classe independente, apoiado nos históricos métodos de luta da classe operária: greve e manifestações de massas!