No dia 12 de maio, o Sindicato dos Metalúrgicos de Joinville (STIMEJ) anunciou o resultado da negociação da campanha salarial da categoria para o ano de 2025. A “vitória” apresentada pela direção do sindicato foi um reajuste de 6% nos salários e 6,5% no piso salarial, ambos parcelados.
Segundo a direção, o acordo representa um “aumento real”, já que a inflação oficial de 2024 foi de 5%. Contudo, quem vive o dia a dia sabe que a inflação sentida pelos trabalhadores é muito maior do que a taxa divulgada pelo governo e pelos meios de comunicação.
Em 2024, a inflação dos alimentos — que pesa mais no orçamento das famílias trabalhadoras — foi de 7,69%, com aumentos muito superiores nos produtos básicos: carne bovina (20,8%), óleo de soja (29,2%), café (39,6%), leite longa vida (18,8%) e, já em 2025, o ovo de galinha subiu mais de 20%. Assim, o suposto “ganho real” se desfaz quando confrontado com a realidade concreta das famílias operárias.
Reajustes insuficientes e a perda acumulada
Nos últimos anos, os trabalhadores da categoria vêm acumulando baixos reajustes. De 2017 a 2024, o piso salarial foi reajustado em 59,09% e os salários em 52,84%, enquanto a inflação acumulada no mesmo período foi de 44,85%.
Comparando com o salário mínimo oficial, que passou de R$ 937 em 2017 para R$ 1.412 em 2024 — um aumento de 50,69% —, percebemos que o poder de compra da classe trabalhadora praticamente não avançou.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) calcula mensalmente o valor do salário mínimo necessário para garantir uma vida digna a uma família de quatro pessoas. Em dezembro de 2024, esse valor foi de R$ 7.067,68, o que significa que o salário mínimo oficial cobre apenas 19,98% do necessário para o sustento de uma família.
Enquanto isso, o trabalho aumenta
O que realmente está crescendo é a exploração do trabalho. As empresas vêm reorganizando jornadas, aumentando escalas e reduzindo remunerações extras. Na multinacional Tupy S.A., na cidade de Joinville (SC), muitos setores passaram à escala 6×2, outros perderam o serão e empresas terceirizadas aplicam a escala 6×1, ampliando a carga de trabalho e o desgaste físico e mental dos operários.
A Tupy é um exemplo claro dessa contradição. Apesar de ter registrado um prejuízo de R$ 97,7 milhões no 4º trimestre de 2024, o lucro anual ainda foi de R$ 82 milhões. E é preciso lembrar: a empresa obteve lucros recordes após a pandemia.
Em 2021, lucrou R$ 202 milhões; em 2022, R$ 502 milhões, o maior lucro da história da empresa; e, em 2023, R$ 517 milhões, novo recorde. Esse último valor equivale a mais de 2 mil apartamentos populares de R$ 250 mil cada. Enquanto isso, os trabalhadores mal repõem as perdas salariais.
Nos anos de lucros recordes, os reajustes ficaram próximos da inflação; agora, quando o lucro cai, as empresas aumentam as jornadas, pressionam com ameaças de demissão e terceirizam setores inteiros. A crise é sempre usada pelos patrões como desculpa para atacar direitos e reduzir salários.
Organizar os trabalhadores, avançar nas conquistas
Essa realidade não é exclusiva da Tupy. Em todo o país, cresce o movimento que luta pelo fim da escala 6×1. Essa luta expressa a insatisfação de milhões de trabalhadores precarizados, submetidos a jornadas extenuantes e com pouca representação sindical efetiva. O movimento aponta para uma necessidade urgente: recuperar o tempo livre, o convívio social e o direito ao descanso, condições fundamentais para uma vida verdadeiramente humana.
A organização é um instrumento fundamental da classe trabalhadora. Exemplo disso foi a greve dos trabalhadores da PepsiCo nas unidades de Itaquera e Sorocaba, em novembro de 2024, pelo fim das escalas 6×1 e 6×2. Somente a mobilização direta da classe trabalhadora pode garantir vitórias concretas.
Por isso, nós, da corrente sindical da Organização Comunista Internacionalista (OCI), chamamos os trabalhadores a se organizarem em seus locais de trabalho e a lutarem conosco pela unidade e pela independência de classe. Somente com organização, mobilização e consciência de classe será possível conquistar reajustes reais, redução da jornada e condições de vida dignas para todos os trabalhadores.
Organização Comunista Internacionalista (Esquerda Marxista) Corrente Marxista Internacional