A suspensão das atividades acadêmicas da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), diante de perdas que abalaram profundamente sua comunidade, nos convida a refletir sobre o peso da realidade na vida das pessoas, em especial dos estudantes.
A universidade, muitas vezes vista como espaço de emancipação e esperança, transforma-se em terreno de intensas pressões: as exigências acadêmicas (com prazos, provas, produção constante e competição por resultados) somam-se às dificuldades financeiras e ao afastamento familiar, criando um cenário de desgaste emocional e material. O estudante que deixa sua cidade em busca de um futuro melhor frequentemente encontra solidão, insegurança e a sensação de que precisa dar conta de tudo sozinho, ainda que faltem recursos básicos como moradia digna, alimentação adequada e acesso a cuidados em saúde mental. Esse acúmulo de fatores, quando não reconhecido nem enfrentado, pode resultar em desfechos tristes e irreparáveis.
Sob uma perspectiva marxista, o que se vê é a reprodução de um sistema que transforma até mesmo a educação em mercadoria, pautada pela lógica da produtividade e da competição, alienando os indivíduos de si mesmos e de seu tempo. A promessa de mobilidade social revela-se uma ilusão quando a permanência estudantil é dificultada pela desigualdade estrutural e pela ausência de políticas públicas robustas que garantam a permanência com dignidade.
As políticas públicas para a educação superior ficam em segundo plano no governo Lula-Alckmin, que mantém a política voltada à burguesia e ao mercado por meio do pagamento da dívida pública interna e externa e do estrangulamento do orçamento federal destinado à saúde, à educação e à assistência social, com o arcabouço fiscal e as metas de superávit primário.
Em vez de investir na garantia dos direitos dos trabalhadores, vemos governo após governo assegurar isenções fiscais, boa remuneração aos investimentos financeiros imperialistas e incentivos às universidades privadas, em detrimento de investimentos nas universidades públicas, que amargam orçamentos incapazes de cobrir sequer as despesas correntes.
O Estado, ao impor cortes e manter um modelo de universidade que exige desempenho sem oferecer suporte material e psicológico adequados, contribui para o adoecimento coletivo. Nesse contexto, não se trata apenas de fragilidades individuais, mas de sintomas de uma sociedade organizada para extrair o máximo do sujeito sem devolver condições reais de vida.
Os casos recentes em instituições como a Furg escancaram que não basta oferecer acolhimento momentâneo: é preciso transformar as condições materiais que sustentam a vida acadêmica. Isso só será possível quando houver garantias concretas de permanência e quando a saúde mental deixar de ser um adendo para se tornar parte central das políticas educacionais. Até lá, seguiremos testemunhando como o peso da realidade — feito de pressões acadêmicas, carências materiais e solidão — continua esmagando vidas numa engrenagem social que adoece e mata.
Para isso, necessitamos nos organizar nos locais de estudo, nos centros e diretórios acadêmicos e em um partido revolucionário, para combater o sistema capitalista que impede a construção de uma universidade que não adoeça sua comunidade, marcada pela lógica produtivista e pela falta de condições de trabalho e estudo em seus espaços.
Organize-se com a OCI e venha construir uma universidade pública e gratuita para todos, na luta contra o arcabouço fiscal, contra o pagamento da dívida pública interna e externa e pela disponibilização dos recursos necessários para a manutenção de um ambiente acadêmico saudável de trabalho e estudo.
Organização Comunista Internacionalista (Esquerda Marxista) Corrente Marxista Internacional