Jeremy Corbyn e Zarah Sultana anunciaram o lançamento de um novo partido de esquerda, com o objetivo de enfrentar as “corporações e os bilionários” e seu “sistema manipulado”. O PCR está aderindo. Lute por mudanças reais! Lute pela revolução!
“O sistema está manipulado… É hora de um novo tipo de partido político… [para] construir um movimento democrático que possa enfrentar os ricos e poderosos – e vencer.”
Com essas palavras, Jeremy Corbyn e Zarah Sultana abriram um novo capítulo na política britânica.
O Partido Comunista Revolucionário (PCR) acolhe com entusiasmo este passo decisivo. Mobilizaremos nossos membros para ajudar a transformar esse novo – e tão necessário – partido em um sucesso.
Finalmente, surge uma alternativa política à esquerda para os trabalhadores e a juventude: um partido que se opõe a “um sistema econômico que protege os interesses das corporações e dos bilionários”; que se posiciona contra a guerra, o genocídio e a “cumplicidade do nosso governo nos crimes contra a humanidade”; e que combate os cortes e as privatizações.
Com base em políticas socialistas ousadas, um novo partido de massas tem o potencial de transformar o cenário político britânico e, por consequência, toda a sociedade.
O PCR conclama todos os nossos simpatizantes e leitores a apoiarem essa nova iniciativa e a se organizarem conosco para dotar esse partido e movimento do programa revolucionário necessário para promover uma “mudança real”.
Emoção e entusiasmo
Nas últimas semanas, cresceu o entusiasmo com a perspectiva de um novo partido de esquerda, impulsionado pelo anúncio de Zarah Sultana, deputada por Coventry South, nas redes sociais.
Em poucos dias, dezenas de milhares de pessoas atenderam ao apelo de Sultana para se manterem em contato e se engajarem.
Uma pesquisa recente previu que 15% dos eleitores apoiariam um partido liderado por Corbyn e Sultana – empatando com o Partido Trabalhista de Starmer e superando os Liberais Democratas e os Verdes. Entre os jovens (de 18 a 29 anos), esse número sobe para 33%.
Outra pesquisa da YouGov indicou que 18% dos britânicos considerariam votar em um partido de esquerda liderado por Corbyn.
Notavelmente, todo esse entusiasmo surgiu antes mesmo de qualquer lançamento oficial, sem que houvesse um programa ou políticas concretas definidos.
Um mundo a ganhar
Agora que Corbyn e Sultana deram o pontapé inicial – ao divulgar uma declaração de intenções combativa e anunciar planos para uma conferência inaugural – o ímpeto tende a se intensificar.
Deputados de esquerda suspensos do Partido Trabalhista Parlamentar podem migrar para esse novo partido, acompanhados dos independentes pró-Palestina eleitos no ano passado. Paralelamente, é provável que se abra um debate nos sindicatos sobre suas filiações políticas.

Além disso, os movimentos contra o genocídio e contra a austeridade poderão se unir naturalmente ao partido de Jeremy e Zarah, conferindo voz e expressão política a essas lutas.
Certamente, milhares de trabalhadores e jovens desejarão participar ativamente da construção de um novo partido de esquerda.
Com base em manifestações de massa e reuniões locais por todo o país, este partido pode decolar rapidamente, atraindo ainda mais membros, ativistas e eleitores.
A tarefa imediata dos socialistas e comunistas é aderir ao partido de Corbyn e Sultana, promovê-lo com entusiasmo, envolver-se e canalizar essa energia para objetivos revolucionários.
Como disse Karl Marx: “Não temos nada a perder além de nossas correntes! Temos um mundo a ganhar!”
Senhores da guerra, mentirosos e racistas
Não surpreende que esta notícia tenha sido recebida com tanto entusiasmo. Durante anos, reinou um vácuo político completo na Grã-Bretanha.
Após 14 anos de caos e ataques do Partido Conservador, muitos trabalhadores, sem alternativas, votaram no Partido Trabalhista de Starmer nas eleições gerais do ano passado – mas o fizeram sem entusiasmo e sem expectativas. Milhões, por sua vez, simplesmente ficaram em casa, incapazes de enxergar qualquer diferença real entre as opções disponíveis.

Desde então, Starmer e seu partido só despencaram nas pesquisas. Com padrões de vida estagnados e serviços públicos em colapso, o Partido Trabalhista perdeu apoio rapidamente.
Este governo trabalhista pró-empresariado assumiu integralmente a agenda dos conservadores: cortes na assistência social e nos gastos públicos; bilhões desperdiçados em guerras; ataques aos pobres combinados com campanhas divisionistas sobre imigração.
Como o Partido Trabalhista de Starmer difere da antiga horda de senhores da guerra, mentirosos e racistas de Westminster? Com “amigos” assim, quem precisa de inimigos?!
Alternativa de classe
Nigel Farage e o Reform UK exploraram demagogicamente a raiva crescente na sociedade, cinicamente culpando migrantes e refugiados pelos problemas das pessoas comuns.
Enquanto isso, com Starmer promovendo uma agenda de austeridade cruel, Farage conseguiu até mesmo ultrapassar o Partido Trabalhista pela esquerda em alguns pontos econômicos: opôs-se ao corte no subsídio de combustível de inverno dos aposentados, defendeu a nacionalização das indústrias de aço e água, e tentou se apresentar como aliado dos sindicatos e defensor dos trabalhadores.
Ao oferecer uma resposta de esquerda a essas questões, com base em políticas de classe claras, o novo partido de Corbyn e Sultana pode retirar o terreno sob os pés de Farage.
Jeremy e Zarah estão absolutamente certos ao denunciar o “sistema manipulado” – um sistema que “protege os interesses das corporações e dos bilionários” e é responsável pela pobreza, pela falta de moradia e pelo aumento das contas.
As propostas de sua declaração inicial, ecoando o manifesto radical de Corbyn de 2017, mostram o caminho: redistribuição massiva de riqueza e poder, defesa de um NHS público e sem privatizações, reestatização da energia, água, ferrovias e correios e um programa massivo de construção de moradias populares.
Aos que perguntam como financiar isso, Jeremy e Zarah respondem com razão: “Este governo diz que não há dinheiro para os pobres, mas sempre encontra bilhões para a guerra.”
“São as pessoas comuns que criam a riqueza”, afirmam os dois parlamentares, “e são elas que têm o poder de devolvê-la ao seu devido lugar”.
Socialismo ou barbárie
Agora, é preciso tirar as conclusões políticas necessárias.
Os comunistas revolucionários do PCR participarão das discussões democráticas sobre a formação deste novo partido de esquerda, buscando aprofundar e radicalizar o programa delineado por Jeremy e Zarah.
Nas conferências, reuniões, manifestações, locais de trabalho, escolas e universidades, defenderemos um programa revolucionário que conecte as demandas apresentadas à necessidade de derrubar o capitalismo.

O “sistema manipulado” que serve aos bilionários chama-se capitalismo. É ele – e seus representantes políticos – que promove a guerra, a opressão e a desigualdade; que coloca os lucros acima do planeta; que fomenta o racismo e reprime a classe trabalhadora.
Como afirmou Sultana, citando Rosa Luxemburgo: “A alternativa é socialismo ou barbárie.”
Promover uma “mudança real” significa lutar por uma revolução contra os bilionários e seu sistema.
Isso implica combater o capitalismo e o imperialismo; expropriar a riqueza dos banqueiros e empresários; e planejar democraticamente a economia conforme as necessidades da maioria, não os lucros de poucos. Acima de tudo, significa organizar-se.
Junte-se ao novo partido de Corbyn e Sultana para construir uma alternativa de massas à política decadente atual.
Filie-se ao PCR hoje para fortalecer a construção de uma força comunista revolucionária dentro desse movimento potencialmente explosivo.
TRADUÇÃO DE FABIANO LEITE.
Organização Comunista Internacionalista (Esquerda Marxista) Corrente Marxista Internacional