Há 62 anos do golpe: lições para a juventude e a classe trabalhadora

Evento central na história do Brasil, o golpe de 1964 colocou em cena uma articulação da burguesia nativa, apoiada pelo imperialismo norte-americano, para esmagar as lutas e organizações estudantis e, principalmente, dos trabalhadores do campo e da cidade. Com a vitória do golpe em 1964, os militares instauraram um regime marcado pela repressão e pela maior submissão do Brasil ao imperialismo.

Nesse período, os sindicatos sofreram intervenção estatal, lideranças foram presas e torturadas, e a imprensa operária e sindical foi proibida. O movimento camponês também foi fortemente atacado pela ditadura. Um estudo de 2024 aponta que “1.654 camponeses foram mortos ou desapareceram do golpe de 1964 até a promulgação da Constituição, em 1988”.

Nesse contexto, as principais organizações da classe trabalhadora naquele momento entraram em crise diante da repressão e do desastre teórico e político da maioria de suas análises. As diferentes organizações políticas até então existentes passaram por um processo de fragmentação.

O movimento operário buscou se reorganizar e, sob influência da unidade mundial da luta de classes em 1968, mobilizações massivas (Passeata dos 100 mil) e greves importantes (Contagem, MG, e Osasco, SP) eclodiram. A ditadura respondeu com a intensificação da repressão, assassinando Edson Luís em março e instaurando o AI-5.

Mas, a partir de 1975, com a crise financeira, a situação se modificou, e o movimento estudantil começou a se reorganizar e antecipar as mobilizações que posteriormente chacoalharam o movimento operário. O combate, sob a palavra de ordem “Abaixo a ditadura”, se iniciou nesse período.

A partir de 1978, greves de proporções históricas foram organizadas, com destaque para os metalúrgicos do ABC paulista, que contribuíram significativamente para o crescimento das forças de oposição ao regime e para a mudança do cenário político nacional. O PT e a CUT foram fundados, a ditadura foi derrubada pela ação dos trabalhadores em luta.

Para os comunistas, aprender com esse período histórico é fundamental para a atuação na luta de classes no presente. Para marcar os 62 anos do golpe, selecionamos artigos que ajudam a compreender o que foi a Ditadura Militar brasileira: