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Indonésia: a roda da revolução girou

Dentro de uma semana, o que começou como manifestações de caráter semi-insurrecional transformou-se em uma aberta insurreição revolucionária que não dá sinais de parar. Não se trata apenas de derrubar prédios governamentais e delegacias de polícia, mas, mais importante ainda, de despedaçar a letargia de massas que manteve o povo acorrentado. Uma revolução começou.

Luís XVI: “Isto é uma rebelião?”
La Rochefoucauld: “Não, Majestade. Isto é uma revolução.”

Cenas de prédios parlamentares incendiados, escritórios do governo e, sobretudo, delegacias de polícia inundaram a mídia. Mas o mais impressionante são as incontáveis transmissões ao vivo feitas por milhões de manifestantes, que capturam de fato o espírito revolucionário do momento. Essas imagens evocam as cenas do período revolucionário de 1998-99.

O primeiro prédio parlamentar provincial a ser incendiado pelo povo foi em Makassar, no dia seguinte ao assassinato de um motorista de aplicativo de 21 anos, Affan Kurniawan, pela polícia. Logo se seguiram cenas semelhantes em Tegal, Solo, Surakarta, Bandung e West Nusa Tenggara. Em Pekalongan, a ação começou como uma vigília pacífica em que as pessoas choravam e depositavam flores em homenagem a Affan Kurniawan. Mas imediatamente se transformou em uma conflagração, à medida que a fúria das massas irrompeu.

A lista cresce a cada dia, com novas manifestações e escaladas. Enquanto escrevemos estas linhas, as massas já acrescentaram Brebes, Pekalongan, Cilacap e Kediri à lista — estamos lutando para acompanhar o ritmo acelerado dos acontecimentos, que constituem a própria essência de uma revolução.

Centenas de delegacias foram saqueadas e incendiadas. As forças policiais, que haviam agido com mão de ferro contra os manifestantes nos primeiros dias, agora batem em retirada apressada. Diante da juventude, exibiram sua brutalidade com grande “coragem”. Mas agora, com a entrada em cena de amplas camadas de trabalhadores que os sobrepujaram, são eles, de repente, os encurralados e expulsos. Em algumas cidades, desapareceram por completo.

Para tentar conter a fúria popular que saiu de seu controle, o governo prometeu investigar e processar os policiais responsáveis pelo assassinato de Affan Kurniawan. O presidente Prabowo encenou um espetáculo midiático ao visitar a família, abraçá-la e presenteá-la com 200 milhões de rúpias e uma casa, numa tentativa de acalmar a situação. Mas o pai de Affan declarou que esse presente não aliviava sua dor: “Nem bilhões de dinheiro podem substituir meu filho.” Esse sentimento é compartilhado pelo povo.

No fim, sete policiais foram “punidos” com 20 dias de detenção especial, o que significa que não seriam presos, mas apenas mantidos em uma delegacia. Isso equivale a uma detenção escolar. Essa farsa de justiça enfureceu ainda mais o povo.

As forças policiais, que haviam sido truculentas no tratamento dado aos manifestantes nos primeiros dias, agora batem em retirada apressada / Imagem: Nafisathallah, Wikimedia Commons

Enquanto batalhas de rua continuam a explodir por todo o país, a mídia voltou suas câmeras para os processos judiciais desses suspeitos, tentando embalar o movimento na crença de que a justiça estava sendo feita. Mas rapidamente ficou evidente que o prato servido era frio e apodrecido.

O ódio das massas contra todo o sistema agora se dirige ao parlamento, a instituição política mais visível, cuja podridão é exibida diariamente sem vergonha por seus membros. Na noite de sábado, a mansão de um odiado parlamentar do Partido Democrático Nacional, Ahmad Sahroni, foi atacada e saqueada. Transmissões ao vivo mostraram seus artigos de luxo sendo levados, incluindo um relógio Richard Mille de US$ 600 mil. Sua declaração anterior, provocativa e arrogante, chamando os manifestantes de “as pessoas mais estúpidas da Terra” por exigirem a dissolução do parlamento, havia voltado para assombrá-lo. O próprio Sahroni fugiu para Singapura para escapar da fúria popular.

Temendo que seu destino fosse o próximo, outro parlamentar desprezado, Eko Patrio, cujas declarações também haviam sido provocativas contra os manifestantes, apressou-se em postar um vídeo de desculpas, quase em lágrimas. Mas foi em vão. “Esse pedido de desculpas é só encenação, vamos para a casa dele agora”, dizia um comentário. E, de fato, poucas horas depois, sua casa também foi invadida. Logo em seguida, a residência de outro deputado, Uya Kuya, sofreu o mesmo destino.

Enquanto escrevemos, mais uma casa opulenta desse grupo de políticos odiados foi saqueada, desta vez, a da ministra das Finanças Sri Mulyani, a principal arquiteta da austeridade que sufocou os indonésios. Ninguém pode mais escapar da justa retribuição das massas.

A mídia e o governo tentaram retratar os manifestantes como saqueadores violentos e anarquistas. Mas seria um erro da nossa parte condenar esses saques como se fossem falhas morais de uma revolução “pura”. Para as massas, trata-se simplesmente de reaver a riqueza mal adquirida desses políticos corruptos.

Alguns setores da esquerda, de fato, começaram a conclamar os manifestantes a evitar saquear os pertences de outros cidadãos, advertindo que não devemos repetir o que ocorreu em maio de 1998 — a revolução que derrubou Suharto, que também envolveu tumultos e saques. Mas essa pregação moral abstrata é resultado da capitulação à pressão da opinião pública burguesa. Para cada condenação do regime e de sua mídia a respeito desses saques, devemos responder mil vezes mais alto: os maiores saqueadores de todos estão no parlamento, no Palácio Presidencial e nas salas de reunião das corporações cujos interesses são fielmente servidos por esses políticos.

O ódio contra os membros do parlamento é tão intenso que nenhum deles ousou enfrentar diretamente o movimento, apesar de emitirem comunicados de imprensa e declarações nas redes sociais sem fim, prometendo ouvir o clamor do povo. Com razão, pois, caso aparecessem em público, seriam despedaçados. Tudo o que pudessem dizer estaria errado e apenas agravaria ainda mais a situação. No passado, o regime ainda conseguia enviar alguns dos parlamentares mais populares, geralmente do Partido Democrático da Indonésia de Luta (PDI-P), para dialogar com os manifestantes. Hoje, até isso é impossível.

O que estamos testemunhando é uma revolução, desdobrando-se com toda a seiva da árvore da vida. As massas já a reconheceram como tal, pois os chamados por revolução, especialmente vindos da juventude, são cada vez mais ouvidos nessas manifestações. Como disse Trotsky, uma revolução é “a entrada forçada das massas no campo do governo sobre o próprio destino”. De fato, é forçada, e não poderia ser de outra forma. Esta é a primeira vez que vemos um movimento de massas dessa escala desde a Revolução de 1998 (ver Indonesia: the Asian Revolution has begun, de Ted Grant).

Com essa insurreição, todo cálculo prévio do regime foi defenestrado. Daí as dificuldades do regime em conter o movimento com suas táticas habituais, como havia feito em movimentos menores nos últimos anos, como o Indonesia Gelap (“Indonésia Escura”), em 2025, o Peringatan Darurat (“Alerta de Emergência”), em 2024, ou o Reformasi Dikorupsi (“A Reforma está sendo corrompida”), em 2019 — todos os quais agora empalidecem diante do presente movimento.

Isso também explica as dificuldades que muitos setores da esquerda têm em se orientar diante desse movimento revolucionário. Muitos ficaram inicialmente chocados quando a juventude, de forma espontânea, ergueu o brado de “Bubarkan DPR” (“Dissolver a Câmara dos Deputados”), uma demanda que eles descartaram como ultraesquerdista. “Se dissolvermos o parlamento, o que o substituirá?”, “Isso não abriria caminho para o presidente ser um ditador?”, “Dissolver o parlamento é uma reivindicação irracional. Devemos exigir novas eleições”, dizem eles. De repente, esses esquerdistas soam exatamente como o governo.

Quando uma revolução irrompe, vemos frequentemente, senão sempre, as massas muito mais revolucionárias do que seus dirigentes e militantes experientes, acostumados a pequenas lutas que estão sob seu controle. Diante de um movimento fora de controle — característica de uma revolução, especialmente em sua primeira fase — esses militantes de esquerda rapidamente se veem perdidos.

Com essa insurreição, todo cálculo prévio do regime foi defenestrado / Imagem: fair use

Mas, para as massas, o lema “Dissolver o Parlamento” condensa o ódio intenso contra essa instituição corrupta, que elas sabem não ter feito nada por elas além de trazer miséria. É em torno dessa palavra de ordem que o movimento se unificou e continua a ganhar força, testando-a continuamente na forja da luta.

Reivindicações e palavras de ordem não são apenas uma lista de metas realizáveis e práticas. “Veteranos” militantes e burocratas sindicais foram bem treinados para formular o que consideram exigências “razoáveis”, aquelas que podem arrancar dos patrões, dado um equilíbrio favorável de forças em um período relativamente pacífico. Mas uma revolução é precisamente uma ruptura com esse período de paz, uma ruptura rápida e violenta, preparada longamente sob a superfície pelo processo molecular da revolução.

Assim, quando as massas levantaram a palavra de ordem “Dissolver o Parlamento”, a esquerda, tão acostumada a um período de paz — na verdade, sem jamais ter cogitado a ideia de uma revolução — foi pega de surpresa.

Uma revolução não é um drama de um único ato. As massas acabam de descobrir o seu poder, espantando a si mesmas tanto quanto aterrorizam a classe dominante. A cada vez que percebem o quanto são fortes, tornam-se mais ousadas, o que, por sua vez, inspira e atrai novas camadas da classe trabalhadora para a luta. O processo então se repete, em espiral ascendente, atingindo novos patamares a cada hora que passa. A cada onda, as massas descobrem que seu poder é ainda mais profundo. Pela primeira vez em uma geração, romperam as correntes que por tanto tempo acorrentaram suas mentes. Não é de admirar, portanto, que esse poder recém-descoberto irrompa de maneira selvagem, explosiva e caótica. Ainda assim, sua força abalou toda a fundação da sociedade. Isso é a revolução em ação.

Depois de mais de uma semana se manifestando dia e noite, incendiando delegacias e prédios parlamentares regionais, as massas aprenderão que isso, por si só, não basta. Essas ações podem ser suficientes para exibir sua força e mostrar à classe dominante que falam sério, mas não são suficientes para alcançar o objetivo final: a transformação fundamental de suas vidas e da sociedade.

Quanto tempo levará para que as massas aprendam isso dependerá de muitos fatores, especialmente da qualidade de sua direção. Com uma boa direção, podemos encurtar o tempo necessário para que o movimento chegue às conclusões indispensáveis. Por isso, nós, revolucionários, devemos continuar a impulsionar reivindicações que acompanhem seu nível de consciência e o façam avançar, palavras de ordem que se conectem à sua raiva e busquem dar-lhe a necessária expressão política organizada. Mas nunca se deve subestimar a rapidez com que as massas podem aprender pela experiência. Em apenas sete dias, aprenderam mais do que em dez anos de paz.

Aqueles que se dizem de esquerda, que estão de joelhos e fracos, que hoje lamentam que esta revolução possa fracassar e terminar em um banho de sangue porque não há uma direção revolucionária, usando isso como desculpa para se abster do movimento, são tolos que sonham com uma revolução suave e com garantia de 100%. Esse chamado “realismo” deles não é mais do que o reflexo de seu próprio pessimismo — um pessimismo que se torna inteiramente reacionário justamente quando as massas, pela primeira vez, encontraram uma causa nobre pela qual serem otimistas e estão agindo em função dela com todo o seu vigor revolucionário.

Não há como garantir uma revolução perfeita. Interviremos no processo à medida que ele se desenrola. Os velhos hábitos de muitos setores da esquerda, de organizar pequenas greves e manifestações com logística e cronogramas cuidadosamente preparados de antemão, agora chocam-se com a realidade viva de uma revolução que não pode ser acomodada em caixinhas arrumadas.

O governo está movendo céus e terra para tentar conter a insurreição com uma política de “bate e assopra”. No entanto, age com cautela: se conceder demais, as massas podem ganhar confiança e exigir mais; se conceder de menos, pode enfurecê-las ainda mais.

Até agora, muitas palavras apaziguadoras foram oferecidas. Mas nada de concreto foi entregue em termos de cancelamento de todos os impostos que vêm sufocando as massas, nem mesmo na conquista de justiça para Affan Kurniawan. Na realidade, é duvidoso que tais concessões fossem suficientes para conter a maré da revolução, já que a exigência de abolir o parlamento corrupto já se cristalizou ainda mais. De fato, no domingo (31/8) o governo anunciou o cancelamento das verbas de representação dos parlamentares, mas isso não acalmou o movimento.

Não existe maneira de garantir uma revolução perfeita. Interviremos no processo à medida que ele se desenrola / Imagem: Mori505, Wikimedia Commons

Ao mesmo tempo, estão intensificando a repressão. O governo começou a mobilizar o exército nas principais cidades e pontos estratégicos. Mas soltar o exército pode sair pela culatra, pois a lembrança do regime militar da Nova Ordem ainda está viva na memória das massas.

A revolução indonésia acaba de começar. Seria um erro fatal confundir sua primeira fase com a última — mas negar que ela começou é impossível.

Depois de quase três dias seguidos de manifestações, o movimento fez uma breve pausa no domingo, com apenas alguns confrontos menores em certas áreas. Mas seria um erro pensar que isso sinaliza estagnação ou declínio. A revolução, como a própria vida, tem seu ritmo. As massas estão agora avaliando o que ocorreu, o que conquistaram e, igualmente importante, as reações do governo. Estão assimilando as lições de suas próprias ações. Na verdade, já há novas manifestações planejadas para os próximos dias em várias grandes cidades.

As massas trabalhadoras demonstraram seu poder nas ruas. No entanto, ainda não tomaram uma ação coletiva em massa enquanto classe trabalhadora no que diz respeito ao seu poder sobre os meios de produção. Uma greve geral é, de longe, a arma suprema do movimento, e ainda não foi desencadeada. Todos os esforços devem agora ser direcionados para a mobilização em torno de uma greve geral.

Os dirigentes sindicais mostraram-se não apenas incapazes de oferecer qualquer liderança, mas também alinhados ativamente ao governo. Assim, é muito provável que os chamados por uma greve geral não partam dos sindicatos. Por um lado, os sindicatos representam apenas uma pequena fração da classe trabalhadora. De fato, a sindicalização caiu nos últimos dez anos, já que o movimento operário atingiu seu ponto mais baixo sob a liderança incompetente desses colaboradores de classe. Eles são amplamente desprezados pela juventude.

Uma vez que o potencial da classe trabalhadora seja canalizado para uma greve de massas, a revolução entrará em uma nova e mais elevada fase / Imagem: Mori505, Wikimedia Commons

Por outro lado, as estruturas pesadas e burocráticas dos sindicatos estão longe de ser adequadas para a expressão política de uma revolução que se desenrola de forma muito rápida e que exige uma estrutura muito mais ágil, flexível e responsiva. Mesmo os melhores sindicatos não seriam suficientes, como fica evidente na paralisia até mesmo dos sindicatos mais à esquerda na Indonésia. Nenhum deles convocou greves.

No momento, o movimento está sendo organizado de forma espontânea por meio de canais de redes sociais e grupos em bairros, escolas, universidades etc. Essas estruturas informais precisam ser fortalecidas e transformadas em comitês de ação, órgãos democráticos de luta capazes de aprofundar e direcionar sua energia para a realização de sua palavra de ordem: dissolver o parlamento e derrubar o regime. Esses comitês de ação poderiam também servir como embrião de órgãos de poder.

A juventude é atualmente a camada mais organizada desta revolução. Ela deve construir uma ponte com a classe trabalhadora, visitando fábricas, complexos industriais, locais de trabalho e bairros operários, para difundir o chamado à formação de comitês de ação de trabalhadores e explicar a necessidade das greves. Uma vez que o poder potencial da classe trabalhadora seja canalizado para uma greve de massas, a revolução entrará em uma nova e mais elevada fase.

Uma revolução não pode ficar parada. Sua lei inerente dita que ela deve ou avançar rumo à vitória ou recuar — muitas vezes com consequências desastrosas. Esta revolução não poderá se completar até que acabe com o capitalismo, ou então sofrerá o mesmo destino da revolução de 1998. No cerne da raiva do povo está a crise do capitalismo, cujo peso foi lançado sobre as costas das massas. Seu objetivo final só pode ser a derrubada revolucionária do capitalismo e a transformação socialista da sociedade.

Para aproximar a revolução desse objetivo, conclamamos os trabalhadores e a juventude:

Dissolver o Parlamento e derrubar Prabowo! Essa chamada instituição democrática e a presidência nunca refletiram a vontade da classe trabalhadora e dos pobres. Pelo contrário, são a fonte de toda a nossa miséria. Elas devem ser abolidas.

Nossa arma mais poderosa é a própria classe trabalhadora, que sozinha movimenta a economia e gera toda a riqueza da sociedade / Imagem: Nafisathallah, Wikimedia Commons

Para substituir essas instituições podres, formar um governo revolucionário da classe trabalhadora e dos pobres! Será um governo como nunca houve, que servirá aos interesses dos trabalhadores, camponeses, pobres urbanos e da juventude. Um governo que exercerá a democracia operária, e não a falsa democracia dos ricos.

Formar imediatamente comitês de ação como órgãos democráticos da luta popular. Estabelecê-los nos campi, nas escolas, nos bairro

s operários, nas fábricas, nas bases dos motoristas de aplicativo, nos cafés e em todo lugar. Esses comitês de ação aprofundarão, ampliarão e direcionarão esta conflagração revolucionária rumo à derrubada do regime. Serão o embrião do poder operário, a base do governo revolucionário da classe trabalhadora e dos pobres.

A razão pela qual a classe dominante permanece poderosa é que seu controle sobre a economia e sua riqueza segue em grande parte intocado. Nossa arma mais poderosa é a própria classe trabalhadora, que sozinha move a economia e cria a riqueza da sociedade. Portanto, através dos comitês de ação, devemos mobilizar para uma greve geral! Isso desferirá um golpe significativo no regime e nos aproximará da vitória.

Qualquer que seja o destino desta revolução, que será decidido pela luta viva nas ruas e nas fábricas, trata-se de um momento decisivo, e nada jamais será como antes.

  • Viva a revolução indonésia!
  • Dissolver o Parlamento!
  • Abaixo Prabowo!
  • Formar um governo da classe trabalhadora e dos pobres!
  • Formar comitês de ação como órgãos democráticos de luta do povo trabalhador e da juventude!
  • Lançar uma greve nacional! Parar as rodas da produção!