Imagem: Tomaz Silva, Agência Brasil

Nota de solidariedade a Jones Manoel

No último dia 20 de agosto, o historiador, comunicador digital e militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), Jones Manoel, foi alvo de uma ameaça de morte dirigida a ele e a sua família. Através de e-mail, o grupo neonazista Brigada Hitlerista Brasileira (Atomwaffen Brasil), fundado em 2015 nos Estados Unidos e com atuação e articulação internacional, declarou que Jones se encontra “na linha da bala há mais de seis meses”.

Além disso, uma série de informações pessoais e financeiras de sua família, obtidas de maneira ilegal, foi exposta pelo grupo. Esse ataque não é somente contra o indivíduo, mas contra a organização dos trabalhadores e de sua juventude, além de colocar sob ameaça a garantia das liberdades democráticas: liberdade de expressão, liberdade de organização política e liberdade de professar suas próprias ideias.

Essa é a expressão da tentativa de amedrontar e desorganizar a luta dos trabalhadores e de sua juventude, que vem se aprofundando diante da crise sistêmica do capitalismo e da traição das direções tradicionais da classe trabalhadora. À medida que as contradições do sistema capitalista se acentuam, as camadas da classe trabalhadora e sua juventude tornam-se cada vez mais radicalizadas. Entretanto, esse processo de radicalização, em grande parte devido às traições da direção da classe, manifesta-se de forma diferente em cada setor da sociedade. Nas camadas mais conservadoras e atrasadas, principalmente entre os elementos lumpen do proletariado e os jovens da grande e pequena burguesia, formam-se grupos com ideias reacionárias e anticomunistas. Assim, esses grupos se convertem nos capatazes dos patrões e realizam o trabalho sujo da burguesia, reprimindo e destruindo as organizações e expressões de luta dos trabalhadores, além de promoverem um combate midiático contra as ideias do comunismo.

A ameaça desse grupo contra Jones não é um raio em céu azul, mas a expressão de um processo. Através dos grandes meios de comunicação e, hoje, principalmente pelas redes sociais, a burguesia ataca todos aqueles que buscam organizar e reconstruir a consciência de classe dos trabalhadores.

No último mês, a empresa Meta, dona do Facebook e do Instagram, retirou do ar as páginas de Jones Manoel porque, segundo comunicado da empresa, estariam infringindo suas políticas de uso. Entretanto, fica claro para nós que existem dois pesos e duas medidas na vigilância dessas redes sociais, e que esse processo faz parte de um movimento de censura às ideias e às lutas de uma juventude radicalizada.

Com a série de debates contra influencers do chamado “campo conservador”, que ele vem realizando e participando nos últimos meses, Jones tem exposto a fragilidade das posições desses elementos, financiados pela grande burguesia, além de levantar questões e despertar o interesse de uma camada de jovens que já se inclina para as ideias do comunismo.

Além disso, Jones tem tornado público, e participado ativamente, da mobilização de trabalhadores e jovens contra os processos de privatização e destruição do patrimônio público que vêm se concretizando no Brasil e no mundo. Um exemplo é a luta dos trabalhadores do Recife contra a privatização do metrô e da companhia regional de abastecimento da cidade, que inclusive tem sido conduzida sob articulação e financiamento do BNDES. Expor-se e somar-se a esse combate é o papel de todo militante comunista.

O caso do Recife é apenas mais um em uma longa lista de privatizações que vêm tomando conta das cidades brasileiras. Para ficarmos em alguns exemplos: a privatização das companhias de distribuição de energia elétrica de Goiânia, Brasília e São Paulo; a privatização das companhias de abastecimento no Rio de Janeiro; e os processos de privatização dos trens e metrôs por todo o Brasil, como é o caso da CPTM em São Paulo. Em todos esses casos, o que se verificou foi o aumento dos valores cobrados e a queda na qualidade do serviço prestado.

A ameaça contra Jones Manoel é expressão de todas as contradições que a burguesia, nacional e internacional, impõe sobre a juventude e os trabalhadores. Nesse processo de rapina do bem público e de destruição das condições de vida da nossa classe, a burguesia aciona seus cães de guarda contra todos aqueles que buscam resistir e construir uma saída revolucionária para a crise. Essa saída, assim como a resposta a essas ameaças e ataques, deve vir de um movimento de toda a classe trabalhadora.

Frente aos ataques ao bem público e em defesa dos companheiros que combatem nesse sentido, nós, da Juventude Comunista Internacionalista (JCI), prestamos toda a nossa solidariedade revolucionária a Jones Manoel e exigimos que esses grupelhos sejam punidos, bem como que os direitos democráticos da classe trabalhadora sejam respeitados.

Temos profundas diferenças políticas com Jones Manoel e também com a linha política de seu partido, o PCBR. Criticamos as concepções pós-modernas que se expressam em concessões ao identitarismo. Jones Manoel, em particular, tem contribuído para minimizar os crimes do stalinismo e, com isso, na reabilitação da figura de Stalin entre a juventude. No entanto, somos pela unidade e defesa dos trabalhadores contra qualquer ataque da extrema-direita fascista. Por isso, independente das diferenças políticas com Jones Manoel, expressamos aqui nessa nota nossa solidariedade ao companheiro contra os ataques aqui relatados.

Não temos ilusões nas podres instituições do Estado burguês. Nossa confiança está na ação organizada da classe trabalhadora. Todas as organizações que se colocam como representantes da classe devem agir em frente única proletária, não apenas em defesa da vida de nossos companheiros, mas também no combate aos ataques aos bens da nossa classe. Um ataque a um deve ser tratado como um ataque a todos, e nossas armas devem ser a solidariedade proletária internacional e a luta organizada, com independência política, da juventude e da classe trabalhadora.