Neste domingo (23/11), a Organização Comunista Internacionalista (OCI) realizou o último dia da Escola Nacional de Quadros de 2025, no Sinsej, em Joinville. O informe foi feito por Serge Goulart, secretário-geral da OCI e dirigente histórico do Movimento das Fábricas Ocupadas, dando continuidade à formação iniciada ontem pelo camarada Luiz Bicalho.
Em seu informe, Serge explicou em detalhe os processos de degeneração da 4ª Internacional como resultado dos problemas políticos e sociais dos anos 1940-50. Essa não foi uma questão pessoal dos dirigentes inexperientes que assumiram esse papel após o assassinato de Leon Trotsky, mas dos problemas políticos e sociais daquelas décadas, com a falta de enraizamento dessas figuras no movimento operário.
Diferentemente de análises psicológicas que atribuem a degeneração da 4ª Internacional ao fato de terem dirigentes vindos da pequena burguesia, Serge explicou que, para os marxistas, o centro é o programa. Engels, por exemplo, o “Professor do Proletariado”, era um burguês e traiu sua classe produzindo e defendendo um programa proletário. Por outro lado, os dirigentes da 4ª Internacional capitularam ao programa impressionista, idealista e pequeno-burguês.
O programa impressionista do pablismo levou a direção da 4ª Internacional, entre zigue-zagues, a afirmar uma iminente 3ª Guerra Mundial após 1945 entre os “dois campos”: os EUA e a URSS. Uma análise que substituiu a luta entre as classes e negou por completo o marxismo e o “Programa de Transição”, inclusive combatendo a explicação de Trotsky sobre a burocracia stalinista como a correia de transmissão do imperialismo nos Estados operários.
Serge também elucidou como, no pós-guerra, o capitalismo não desenvolveu suas forças produtivas sociais, mas teve explosões da luta de classes, como as inúmeras revoluções de libertação nacional em países semicoloniais nos anos 1950-60 e o histórico 1968. Essa posição equivocada é justificativa para as derrotas das revoluções socialistas e do poder proletário nessas explosões sociais, motivadas pela crise de direção revolucionária, como explicou Trotsky.
Assim como não há socialismo em um só país, não pode haver desenvolvimento das forças produtivas do capitalismo, na sua fase imperialista, em determinados países. Todos os desenvolvimentos técnicos e científicos em nosso tempo têm como razão e objetivo as forças destrutivas, a guerra e a barbárie.
Ao longo de seu informe, o camarada Serge também explicou as diferenças entre o pablismo — raiz da degeneração da 4ª Internacional e das inúmeras organizações que reivindicam um “trotskysmo” oco de Trotsky —, o mandelismo e o morenismo. Como resultado de suas trajetórias no pós-guerra, vemos suas expressões ainda mais degeneradas no presente, com a completa capitulação ao pós-modernismo e seus guias não pela luta de classes, mas em busca dos aparelhos burocráticos e da geopolítica.
Em nosso tempo, seguimos vendo as explosões do proletariado e de sua juventude contra as opressões e explorações capitalistas. Apesar da crise das direções, vivemos o tempo de revoluções, demonstrando a necessidade imediata da construção da vanguarda proletária melhor armada pela teoria marxista e pelo bolchevismo.
Também foi abordada a política dos comunistas nos sindicatos e da Liberdade e Independência Sindical.
Tanto o informe de Serge quanto as intervenções dos camaradas expressaram como a história e as experiências da nossa classe devem ser aprendidas pelos comunistas para essa ação, realizando-a com os olhos do proletariado, como explicou Lênin. Apenas dessa forma a humanidade impedirá a barbárie capitalista, construindo o socialismo internacional.
Organização Comunista Internacionalista (Esquerda Marxista) Corrente Marxista Internacional


















