Os choques dos antagonismos de classe continuam a se intensificar por todo o mundo nessa nova situação mundial que vivemos. Temos como exemplo as revoltas que estão sendo conhecidas como “protestos da geração Z”, espalhadas por toda parte do globo. Nos Estados Unidos, as agressões ao proletariado e o conflito entre ele e o capital continuam a se acirrar.
Os Estados Unidos da América (EUA) passam, neste momento, por um shutdown que perdura há 21 dias nesta quarta-feira (21). O Congresso se encontra paralisado por conta de um não acordo entre a Casa Branca e o Senado, que tem maioria republicana, mas necessita do voto de ao menos sete democratas para que haja acordo em relação ao orçamento. Os democratas exigem uma extensão do financiamento dos programas de saúde e assistência médica. Com a paralisação, basicamente todos os serviços públicos se encontram suspensos, e os trabalhadores, em licença não remunerada.
Shutdown e os ataques à classe trabalhadora
Essa paralisação não está ocorrendo pela primeira vez na história dos Estados Unidos, mas pela 15ª vez desde a década de 1980, tendo sua maior extensão registrada em 2019, no primeiro governo de Donald Trump, quando perdurou por 35 dias. O atual shutdown pode vir a ser o maior em toda a história do país, ultrapassando essa marca. O atual presidente, Donald Trump, todavia, não enxerga problemas em sua continuação; afinal de contas, foi eleito por esse exato motivo: causar pânico e medo na classe trabalhadora mundial.
O presidente aproveita a atual situação para enxugar ao máximo a máquina pública, promovendo um ataque a programas federais e demissões em massa de trabalhadores públicos que não aderiram à proposta de desligamento feita no começo do ano. O Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca (OMB) afirmou que as demissões iriam continuar nesta terça-feira (14). Enquanto isso, cerca de 4.100 servidores receberam cartas de demissão. O diretor do OMB, Russel Vought, afirmou que mais de 10 mil funcionários podem ser despedidos durante as demissões em massa do governo.
Estamos diante de mais um dos inúmeros ataques diretos de Trump à classe trabalhadora. A paralisação dos serviços públicos e, sobretudo, o não pagamento de cerca de 1,4 milhão de trabalhadores que foram colocados em licença não remunerada não são outra coisa senão um ataque declarado aos trabalhadores em geral e, principalmente, aos servidores públicos. A não extensão do subsídio dos serviços de assistência médica e saúde — particularmente o ACA (Affordable Care Act) — levará os trabalhadores americanos que dependem do auxílio para terem planos de saúde, que são absurdamente caros nos EUA, a perderem totalmente essa possibilidade.
O shutdown se pauta justamente na questão da saúde pública norte-americana, em que Trump e os republicanos desejam a não continuação desses programas de auxílio, afirmando que não defendem “programas apoiados por democratas”. Nos EUA, o preço mensal médio de um plano de saúde individual pode variar entre US$ 300 e US$ 1.000, tendo um custo médio de US$ 746. Os Estados Unidos têm a saúde mais cara do mundo, apesar da péssima eficiência em relação ao preço, e não possuem um sistema público de saúde, o que obriga o trabalhador a pagar um plano de saúde ou a desembolsar uma fortuna por uma consulta de rotina, que fica em torno de 100 a 200 dólares com um clínico-geral.
Histórico e onda de demissões
As demissões em massa que vemos atualmente nos Estados Unidos não surgem do nada; muito pelo contrário, essa onda já está sendo praticada desde o começo de 2025 pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), inicialmente liderado pelo capitalista bilionário Elon Musk. Estima-se que o DOGE já tenha provocado a demissão e a saída de aproximadamente 300 mil funcionários federais e, até o final deste ano, é extremamente provável que esse número aumente significativamente.
A onda que vemos agora pode ser a maior da história dos EUA, sendo já a maior desde a 2ª Guerra Mundial, quando o então presidente Harry S. Truman realizou um corte de cerca de 500 mil funcionários após a guerra. O governo republicano não tem nenhum objetivo de parar com as demissões, e vemos um movimento de tentativa de paralisação ou redução delas, como é o caso da juíza distrital Susan Illston, que requisitou o bloqueio das demissões em mais de 30 agências.
Desde sua eleição, o governo Trump tem como objetivo o sucateamento total das condições de vida do proletariado, seja americano, imigrante ou de qualquer parte do mundo. Os trabalhadores imigrantes estão sendo expulsos pela Guarda Nacional e pelo Exército, sendo colocados em centros de detenção que mais se assemelham a campos de concentração. Um exemplo disso é o centro de detenção apelidado de “Alcatraz dos Jacarés”, na Flórida.
Os trabalhadores imigrantes representam cerca de 18% a 20% de toda a força de trabalho dos EUA. Sua perseguição e aprisionamento representam, em todo caso, mais uma das brutais ofensivas cometidas contra a classe trabalhadora mundial.

A função histórica do Estado burguês se cumpre novamente: a opressão sistêmica aos trabalhadores. É preciso, todavia, que a tarefa histórica do proletariado também seja cumprida. É justamente nesse ponto que reside a importância ímpar do partido e do programa revolucionário.
O partido revolucionário é o organizador do ódio do proletariado contra a burguesia na luta de classes. Como ensina Trotsky, é o pistão da locomotiva da história, para que a energia das massas não se dissipe como vapor, mas para que esse vapor mova a máquina.
Na era em que vivemos, a era do imperialismo, faz-se uma necessidade imediata a organização do proletariado mundial sob a égide de um programa internacionalista, verdadeiramente revolucionário. O proletariado norte-americano só pode encontrar suas armas contra os inescrupulosos ataques da burguesia e de seu Estado na organização e na ação revolucionária. É necessária a organização da juventude e dos trabalhadores norte-americanos em assembleias e comitês operário-estudantis; a aliança entre esses é a principal arma do proletariado em sua luta pela liberdade, pela vida, pelo futuro, pelo mundo!
Organização Comunista Internacionalista (Esquerda Marxista) Corrente Marxista Internacional