A Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina transforma o final do ano letivo em mais um período de assédio e coerção contra os professores. O envio de checklist e critérios padronizados aos conselhos de classe tem o objetivo evidente de pressionar os professores por conta dos resultados educacionais, tirando assim a responsabilidade do Estado e manipulando os resultados de aprovação. Ao estabelecer instrumentos que, na prática, orientam para a aprovação automática, a SED cria um ambiente em que o critério pedagógico é substituído por mecanismos administrativos, violando a autonomia docente e desrespeitando o trabalho realizado durante todo o ano.
Essa política não surge do nada. Ela faz parte da lógica burguesa que transforma a escola pública em mera fornecedora de indicadores, alinhada aos interesses do governo de Jorginho Mello (PL) de ataques à educação de SC. Não só isso, está alinhada com uma concepção de educação que prioriza a busca pela eficácia a partir do desempenho individual do estudante e a competição entre professores e escolas, em que se estabelece o critério meritocrático para distribuição de recursos e investimentos.
Outro exemplo prático disso é visto nas séries iniciais, em que apenas os 2° e 5° anos podem ter retenção, porém as notas e demais burocracias são mantidas, para não serem usadas, e pressionadas através de prazos cada vez mais impossíveis pela direção escolar e a SED, aumentando o desgaste dos professores.
As reprovações são casos complexos e particulares. A reprovação em si não é o problema, mas também não é solução. Quando um estudante não avança, isso revela falhas da educação, e não culpa do professor. Porém, impor a aprovação automática apenas esconde esses problemas e transforma a avaliação em burocracia. O verdadeiro debate deveria ser sobre garantir condições reais de aprendizagem, não sobre manipular índices para defender uma política de sucateamento.
O ataque do governo agora se dá ao esconder os índices reais de aprovação dos alunos para assegurar repasses financeiros e defender a própria imagem. Nessa lógica, se um estudante reprova, o problema não é a falta de políticas educacionais e estruturais, mas sim o professor que “não colaborou” com as metas. O assédio institucional é, assim, convertido em política educacional.
O adoecimento da categoria, as salas superlotadas e o abandono escolar crescente, tudo isso é apenas a política de Jorginho Mello e seus cúmplices para atacar a educação enquanto se prepara para as eleições de 2026.
Nós, da Organização Comunista Internacionalista, denunciamos que o checklist que circula nas escolas é apenas mais uma tentativa de calar os trabalhadores, esvaziar o sentido pedagógico da avaliação e reduzir o trabalho a uma burocracia servil. Convidamos você, professor que está indignado com todos os ataques sofridos em 2025, a se organizar e combater por condições dignas de trabalho!
Organização Comunista Internacionalista (Esquerda Marxista) Corrente Marxista Internacional