Foi veiculado nas redes sociais um protesto em uma das sedes da poderosa Microsoft, localizada em Redmund, nos EUA, contra o uso de suas tecnologias no genocídio em Gaza. Israel é um Estado que utiliza as tecnologias mais avançadas para a matança de palestinos, e por isso os trabalhadores do mundo todo precisam se unir, como já fizeram diversas vezes na Europa, com os bloqueios de envio de armas para Israel.
Esse protesto na Microsoft está inserido em uma onda de manifestações que vem acontecendo pelo mundo nas últimas semanas. Vimos protestos no Japão e mobilizações massivas na Alemanha, na Austrália e na Inglaterra, que foram duramente reprimidas, resultando em centenas de pessoas presas.
Antes de mais nada, é importante relembrar que o capitalismo favorece exclusivamente o capital e o lucro, como já exposto por Mano Brown em 2002, na música Vida Loka, onde afirma: “[…] Em São Paulo, Deus é uma nota de 100.”
Essa música tem 23 anos e segue completamente atual. O mundo corporativo, não apenas em São Paulo, mas globalmente, mostra uma falsa faceta humanitária nas redes sociais, com posts cheios de palavras-chave como “gratidão” e “gestão humana” no LinkedIn, mas que se desfazem em fumaça no primeiro momento em que as cortinas dos interesses empresariais são minimamente levantadas.
No dia 20 de agosto, ocorreu um protesto de alguns trabalhadores mais conscientes e revoltados com a situação de produzir tecnologia para ser usada em genocídios. É nítida a hipocrisia da Microsoft, uma empresa que encerrou 2024 com lucro de mais de US$ 27 bilhões e que se posiciona como bastião de ações inclusivas e afirmativas entre as Big Techs, mas que realiza negócios genocidas com o governo sionista de Israel.
Segundo os funcionários revoltados, os servidores de nuvem da Microsoft (Azure) estão sendo utilizados, em combinação com IA, para coletar e armazenar dados pessoais da população palestina em Gaza e alimentar a máquina militar israelense com informações precisas de onde atacar. Isso demonstra que a tecnologia burguesa não se importa em ser usada para fins genocidas, desde que o dinheiro continue fluindo para os bolsos dos capitalistas.
Além do uso ilegal desses dados pessoais do povo palestino, em clara violação a diversos tratados internacionais de proteção de dados (mais abrangentes que a LGPD no Brasil), trabalhadores da Microsoft que se manifestaram publicamente contra o apoio da empresa ao governo israelense foram demitidos. O motivo? Exercício legítimo do direito de protestar. Em um evento de aniversário de 50 anos da companhia, esses trabalhadores chamaram o Head de IA da empresa de War Profiteer, expressão que pode ser traduzida como “aquele que lucra com a guerra”.
Conforme já explicamos em diversos textos — inclusive um sobre as Big Techs, publicado em marxismo.org.br — a tecnologia, por si só, não é boa nem ruim. O que importa é onde e como ela é utilizada. A mesma tecnologia que traz praticidade a alguns pode se tornar uma arma ceifadora de centenas de vidas quando colocada nas mãos dos capitalistas e de seus Estados. É evidente a hipocrisia burguesa em se mostrar, em anúncios e postagens, como salvadora do planeta e dos miseráveis, enquanto lucra com a guerra, a fome e a destruição não apenas de prédios e cidades, mas de vidas.
Enquanto existir burguesia, deve existir também a luta pela organização revolucionária cujo objetivo é derrubar o capitalismo mundialmente. O comunista deve se posicionar contra qualquer guerra que não seja a guerra de classes, pois o verdadeiro inimigo do povo operário é o burguês e sua fome insaciável por crescimento infinito de cifrões às custas do trabalho alheio.
O trabalho comunista deve ser o de dar a mais ampla visibilidade à hipocrisia das empresas e mostrar que apenas a tomada do controle de todas as empresas por seus funcionários, de maneira democrática, pode mudar o objetivo da sociedade: de servir ao lucro para organizar a produção segundo as necessidades e escolhas dos trabalhadores. Essa é a sociedade comunista pela qual lutamos. Para isso, precisamos nos organizar. Convidamos todos os trabalhadores da tecnologia a se unirem à ComunaTec, à OCI e à ICR.
Organização Comunista Internacionalista (Esquerda Marxista) Corrente Marxista Internacional