Leia a seguir o Informe Político do Comitê Central, aprovado em 7 de fevereiro de 2026, para o 9º Congresso Nacional da OCI. Você é comunista? Organize-se!
O capitalismo há muito tempo entrou em sua época de decadência. No estágio do imperialismo, de reação em toda a linha (como caracterizado por Lênin), o capitalismo converteu-se em um bloqueio absoluto para o desenvolvimento das forças produtivas. O programa de fundação da 4ª Internacional, o Programa de Transição, já afirmava, em 1938:“A premissa econômica da revolução proletária há tempos já atingiu o ponto máximo que pode ser alcançado sob o capitalismo. As forças produtivas da humanidade deixaram de crescer. As novas invenções e os novos progressos técnicos já não conduzem mais a um aumento da riqueza material.” (Leon Trotsky)
Este modo de produção moribundo tornou-se incapaz de desempenhar qualquer papel progressista e ameaça conduzir a humanidade à barbárie. Crises econômicas, aumento da exploração, da desigualdade, da violência, guerras, devastação dos ecossistemas e crise ambiental, declínio da cultura e da arte etc. são expressões da agonia do capitalismo. Só a vitória da revolução proletária internacional, do socialismo, pode interromper essa marcha.
Mas, para isso, é preciso resolver a contradição entre a maturidade das condições objetivas, históricas, para o socialismo e a ausência das condições subjetivas, ou seja, a falta de partidos revolucionários do proletariado capazes de influenciar o movimento das massas e dirigir as revoltas e revoluções em direção à tomada do poder pela classe trabalhadora. É o que também explica o Programa de Transição:
“Os falatórios de toda espécie, segundo os quais as condições históricas ainda ‘não estariam maduras’ para o socialismo, representam apenas um produto da ignorância ou de um engano consciente. As premissas objetivas da revolução proletária não apenas amadureceram, como já começaram a apodrecer. Sem a revolução socialista no próximo período histórico, toda a civilização humana está ameaçada por uma catástrofe. Tudo depende do proletariado, isto é, em primeiro lugar, de sua vanguarda revolucionária. A crise histórica da humanidade reduz-se à crise da direção revolucionária.”
O aprofundamento da crise orgânica do capitalismo abriu uma nova situação no mundo, de fim definitivo da ordem estabelecida após a Segunda Guerra Mundial, a ordem de Yalta e Potsdam. O Informe Político do Comitê Central da OCI, de 22 de março de 2025, posteriormente aprovado, em 25 de outubro, como resolução do Congresso Extraordinário da OCI, analisava a abertura dessa nova situação:
“Sobre a situação internacional, há muito que desenvolver: guerras, ações do capital em suas diferentes formas monstruosas, mas todas elas com a alma única, de faca na boca e olhos injetados de sangue, atacando o proletariado e ameaçando a humanidade. Mas o central é compreender que o mundo mudou, e nada mais será como antes.” (Uma nova situação mundial se abriu – acabou a ordem de Yalta e Potsdam)
Os turbulentos desenvolvimentos políticos desde a elaboração deste documento reforçam as análises iniciais nele presentes. Trata-se da crise do capitalismo em sua fase imperialista, que hoje atinge, de forma global, todos os países. Não se trata, de forma alguma, da crise de um ou outro país, imperialista ou não. Trata-se de uma crise orgânica do capitalismo que domina o mercado mundial e, portanto, atinge todos, mesmo que se expresse de forma diferente em cada componente nacional. Assim, é a civilização burguesa que está se decompondo e arrastando toda a humanidade em direção à barbárie. E, como já dito, só a classe operária internacional pode impedir e reverter esse curso destrutivo, impondo a revolução proletária, destruindo o regime da propriedade dos grandes meios de produção e abrindo caminho para o socialismo.
Apesar do papel individual desempenhado por Donald Trump como presidente da potência imperialista dominante no planeta, não é possível, para os marxistas, depositar em um indivíduo a responsabilidade pela situação política mundial. Isto seria uma contradição com os princípios do materialismo histórico e dialético. A ascensão de Trump é, na realidade, uma expressão da crise e da decadência do próprio capitalismo e de sua classe dominante.
Trump representa o setor da burguesia imperialista que, diante da crise, decidiu se desfazer das máscaras democráticas, partir para a ofensiva contra a classe trabalhadora e romper acordos com antigos aliados para defender seus próprios interesses de sobrevivência. É claro que, entre a intenção e a realidade, existem choques e conflitos no interior da classe dominante e resistência dos trabalhadores que, aliás, têm dado seguidas demonstrações de disposição de luta nos EUA e ao redor do mundo. As ações brutais do ICE contra a classe trabalhadora norte-americana e as mobilizações que desataram nos EUA são uma expressão dessa situação.

A resolução política do Congresso Extraordinário da OCI, aprovada em 25 de outubro de 2025, explicava:
“O governo Trump busca enfrentar a classe trabalhadora aprofundando os traços bonapartistas do regime político dos EUA. Avança em ataques às liberdades democráticas, prende e deporta trabalhadores imigrantes, realizando uma série de abusos. Trump tenta se apresentar como um governante acima das classes e acima dos demais poderes, o Legislativo e o Judiciário. Governa por meio de decretos e entra em choque com parlamentares e juízes. Ao mesmo tempo, não existem, hoje, condições concretas para este regime transitar para o fascismo ou para uma ditadura. Independentemente das intenções de Trump e de seus seguidores, a classe trabalhadora norte-americana não está derrotada; ao contrário, tem dado seguidas demonstrações de elevação de consciência e disposição de combate.” (As tarefas dos comunistas na nova situação mundial)
Este é um traço que retrata o momento da situação política mundial. De forma geral, a burguesia tenta se livrar dos direitos democráticos e aprofundar ou criar formas bonapartistas de Estado e de governo. E isso se choca com a força da classe operária, que não sofreu nenhuma derrota decisiva no último período. Mas Trump (e a burguesia norte-americana) precisa vencer esse choque para aprofundar sua política de conflito com a burguesia imperialista de outros países e de retomada violenta de um controle mais direto sobre os países semicoloniais (ou semi-independentes), como os países da América Latina. Sem isso, sua capacidade de intervir (inclusive militarmente) depende de algumas “forças especiais” e, principalmente, da cumplicidade levada até o fim por setores da burguesia local (como o que foi visto na Venezuela) ou de outras formas de intimidação, como bombardeios (Irã e Nigéria), com resultados muito limitados. Para os EUA entrarem em uma guerra de ocupação militar total em outro país ou desatarem uma guerra mundial, será preciso derrotar a classe operária dos EUA e, neste aspecto, a política de Trump não vai nada bem.
A nova situação política mundial também não pode ser explicada por análises geopolíticas, comuns entre os analistas burgueses e que contaminam organizações de esquerda. Para muitos militantes de esquerda que se orientam pelo que divulgam esses ideólogos burgueses, a nova situação mundial é decorrência de uma nova disputa interimperialista, a partir da suposta ascensão de Rússia e China como novas potências que estariam ameaçando o domínio mundial dos EUA e estabelecendo um mundo “multipolar”. Essa é uma concepção “geopolítica”, uma “teoria” estranha ao marxismo e de combate contra ele, que esconde a unidade mundial da luta de classes.
A realidade é que Rússia e China não estão em condições de enfrentar os EUA, nem no campo econômico nem no militar. Isso não significa que não existam conflitos e choques entre as burguesias desses países, mas não significa uma disputa real pela redivisão do mundo. Trata-se de uma situação de convulsão em que cada um tenta sobreviver, tentando jogar com as fraquezas e os problemas dos outros. É isso que torna, hoje, as ditas organizações multilaterais irrelevantes. Os EUA seguem com amplo domínio do capital financeiro internacional, possuem a moeda padrão para o comércio mundial (o dólar) e têm as Forças Armadas mais poderosas do planeta. A burguesia dos países europeus, mesmo desempenhando um papel secundário em relação aos EUA, segue dominando fatias importantes do mercado mundial, assim como a burguesia japonesa.
Para os EUA, o discurso de ameaça externa, de Rússia e China, serve como um bom pretexto para suas ações imperialistas. O caso da disputa pela Groenlândia evidenciou isso. A principal justificativa apresentada por Trump para a necessidade de anexar a Groenlândia foi a segurança nacional, a construção de um “Domo de Ouro”, um sistema antimísseis para defender os EUA de possíveis ataques aéreos da Rússia e da China. No entanto, os EUA já possuem bases militares na Groenlândia, controle total sobre elas e a possibilidade de construção de novas bases a partir do tratado firmado com a Dinamarca em 1951. O interesse central dos EUA é econômico, o controle de rotas comerciais e o avanço no saque das riquezas naturais da ilha: petróleo, gás e minerais, em particular as chamadas terras raras. Por isso, o acordo sobre a Groenlândia, em negociação com a Otan, deve incluir a ampliação total da exploração de minerais da Groenlândia pelos EUA, avançando na exploração já realizada por empresas norte-americanas na ilha.

A ameaça chinesa já havia sido utilizada como argumento para a ofensiva de Trump sobre o Canal do Panamá. O governo panamenho de José Raúl Mulino se curvou à pressão e aceitou um acordo que fere a soberania do país, permitindo a presença militar dos EUA no Panamá e prioridade no uso do Canal.
O tamanho econômico da China, pura criação do capital financeiro internacional a partir dos anos 80, e a capacidade militar da Rússia, herdada da URSS, são utilizados como fantasmas ameaçadores, repetindo a “luta contra a URSS e o comunismo” durante todo o período dito de “Guerra Fria”, período que foi a expressão real e estabelecida dos Acordos de Yalta e Potsdam, em que a burocracia contrarrevolucionária stalinista praticou a política de “Coexistência Pacífica” com o imperialismo, estrangulando todas as revoluções surgidas na esteira da onda revolucionária mundial do Pós-Guerra.
Ofensiva imperialista sobre a América Latina
Além do caso do Panamá, o ataque dos EUA à Venezuela no início de 2026 é um sinal dos novos tempos. O fato de Trump ter ordenado essa ação militar sem ter consultado previamente o Congresso norte-americano (contrariando a própria Constituição do país) é mais um elemento dos traços bonapartistas que busca aprofundar, colocando-se acima dos demais poderes. Trump, apesar de ter utilizado o demagógico discurso de combate ao narcotráfico para bombardear a Venezuela e sequestrar o presidente do país, não escondeu o principal objetivo: apoderar-se do petróleo venezuelano.
Os EUA estão colocando em prática aquilo que o seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou: “vamos recuperar o nosso quintal”! Ou seja, a América Latina é uma colônia que deve servir aos amos do norte.
Condenamos prontamente os ataques à Venezuela, tratando-se de uma evidente agressão imperialista a um país dominado. Não apoiamos o governo de Maduro, mas quem deve acertar as contas com ele é o povo trabalhador venezuelano, não a burguesia e o imperialismo. Maduro destruiu muitas das conquistas da revolução venezuelana da época de Hugo Chávez, reprimiu e perseguiu o movimento operário, alimentou a burocracia corrupta no aparato estatal, curvou-se aos interesses da burguesia e do imperialismo. Apesar de toda essa traição, o governo norte-americano bombardeou Caracas e derrubou Maduro. Com isso, deu um recado do que é capaz aos demais governantes com os quais realiza negociações e, também, busca desmoralizar um processo revolucionário que se desenvolveu no “seu quintal”. Portanto, apesar de Maduro e de seu regime, a OCI é incondicional na defesa da Venezuela, de sua soberania, contra todos os ataques imperialistas, contra a verdadeira pirataria que Trump promove com o confisco e controle do petróleo venezuelano e com os assassinatos decorrentes das explosões de barcos no mar do Caribe e no Pacífico. A OCI é incondicional na defesa do povo venezuelano contra toda opressão e pilhagem imperialista e reivindicamos a liberdade imediata de Maduro e de Cilia Flores.
A podridão e a covardia da cúpula governamental venezuelana, agora encabeçada pela vice-presidente empossada, Delcy Rodríguez, ficaram evidentes com a submissão ao acordo proposto por Trump após os ataques, no qual o governo norte-americano permite que a atual cúpula se mantenha no poder, desde que siga as regras ditadas por Washington. Trump, inclusive, não tem o menor pudor de humilhar o governo da Venezuela abertamente, afirmando que é ele quem vai dirigir o país. E essa situação fica absolutamente evidente com a contrarreforma da Lei dos Hidrocarbonetos, destruindo o monopólio estatal da PDVSA, já abalado pela presença da ExxonMobil, que agora permite a entrada de todas as multinacionais do petróleo e, absurdamente, que todo o dinheiro do petróleo seja gerido por uma conta controlada pelos EUA, e em que a nova lei explicitamente afirma que toda disputa será regida pelas leis dos EUA e julgada somente em tribunais norte-americanos.
O ataque à Venezuela evidenciou também a incapacidade de China e Rússia de realizarem qualquer ação real de defesa de seu suposto aliado na América Latina, restringindo-se a notas vazias que condenam os ataques.

O sucesso momentâneo na Venezuela deu ao governo Trump o ímpeto para retomar as ameaças de anexação da Groenlândia e, também, reiterar ameaças contra a Colômbia, de Gustavo Petro, e Cuba.
Sobre Cuba, é preciso ressaltar a situação crítica que o país atravessa. Cuba já sofre historicamente com o embargo econômico dos EUA. O fim do fornecimento do petróleo venezuelano e restrições adicionais dos EUA trarão novas consequências. A pandemia já havia agravado a crise, e o país nunca se recuperou de seus impactos, passando por apagões constantes e escassez de recursos, gerando enormes filas em mercados etc. O governo Lula, que se diz defensor da soberania, assim como a Direção Nacional do PT, que se reivindica da classe trabalhadora e que divulgou nota condenando o bloqueio a Cuba, deveriam enviar petróleo a Cuba em defesa do povo cubano e das conquistas da revolução que ainda persistem.
Longe de resolver o problema do povo cubano, a burocracia governante faz avançar ainda mais o processo de restauração do capitalismo. Em novembro de 2025, o ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Oscar Pérez-Oliva, durante a Feira Internacional de Havana, anunciou um pacote de medidas que permitirá a abertura do capital cubano ao capital estrangeiro. A saída para o povo cubano passa necessariamente por uma revolução política que ponha abaixo a burocracia que se encontra hoje no poder e pela revolução socialista mundial. E esse objetivo começa com a imediata mobilização das massas populares em Cuba contra os ataques imperialistas e deve se estender pela América Latina e pelo mundo em defesa do povo cubano, de sua soberania e das conquistas da revolução. Pelo fim imediato de todo bloqueio e envio de petróleo a Cuba.
Na Argentina, os EUA agiram diretamente para apoiar seu aliado, Javier Milei, nas eleições legislativas de outubro de 2025. Na véspera do pleito, os EUA concederam um empréstimo de US$ 20 bilhões ao governo argentino. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, declarou: “Estabilizar um aliado sólido dos Estados Unidos é essencial para avançar rumo à política ‘Estados Unidos Primeiro’”. Novos socorros financeiros dos EUA foram condicionados à vitória do grupo de Milei nas eleições.
O descrédito do kirchnerismo, que afundou o país na crise, o discurso antissistema de Milei, a alta das abstenções nas eleições, somada à ajuda dos EUA para garantir a estabilidade econômica, foram fatores para o partido de Milei, La Libertad Avanza, vencer essas eleições. No entanto, estavam em disputa nesse pleito apenas metade das cadeiras do Congresso e um terço das cadeiras do Senado. Na composição geral, o partido de Milei continua em minoria nas duas casas. A instabilidade política prossegue na Argentina; Trump não é capaz de garantir paz social nem nos EUA nem em qualquer país do mundo.
Em El Salvador, Nayib Bukele, conhecido por uma política de extermínio e encarceramento em massa, é outro presidente alinhado ao governo Trump e recebeu US$ 6 bilhões dos EUA para investir no sistema prisional, a fim de receber imigrantes deportados.
Com o Paraguai, de Santiago Peña, os EUA firmaram um acordo de cooperação que permite a presença de militares e civis do Departamento de Guerra norte-americano no território paraguaio.
Os ataques imperialistas à América Latina, com ações e ameaças militares ou econômicas, por meio de tarifas, estão esquentando o sentimento anti-imperialista presente na classe trabalhadora latino-americana, uma região historicamente submetida e explorada pelo imperialismo europeu e, posteriormente, norte-americano, mas que também tem um largo histórico de lutas em defesa de sua soberania e independência.
A OCI deve impulsionar e estar presente nas ações de frente única contra a ingerência imperialista na América Latina, defendendo a política e as posições dos marxistas na luta anti-imperialista, que se conecta, indissoluvelmente, à luta pelo socialismo na região e nos EUA. Uma luta anti-imperialista real deve ter em seu interior o apoio às mobilizações e ações da classe operária dos EUA, às greves e manifestações contra o ICE e o governo Trump.
“O capitalismo traz a guerra como a nuvem traz a tempestade”
Na época do imperialismo, as guerras são uma necessidade econômica e política para o capital e seus governantes, seja pela disputa de mercados e matérias-primas, seja também para fazer girar a máquina de guerra, o complexo industrial-militar, que funciona como um motor de reserva para impulsionar a economia capitalista a partir da produção de armas, munições, caças, mísseis, tanques, submarinos etc.
O orçamento dos EUA para “defesa” já é de US$ 901 bilhões para 2026. Trump propõe aumentar esse valor para US$ 1,5 trilhão em 2027. Os países da União Europeia aumentaram os gastos com “defesa” em 62,8% entre 2020 e 2025, atingindo 381 bilhões de euros no ano passado. Um pacote apelidado de “Rearmar a Europa/Prontidão 2030” prevê um investimento de 800 bilhões de euros até 2030.
A reestruturação do grupo Volks, em que uma de suas grandes fábricas (Osnabrück) será transformada em fábrica de armas, com financiamento público e com vendas garantidas para o Estado alemão, que aumentará o orçamento militar para 2%, é um exemplo prático da transformação de forças produtivas em “forças destrutivas” diretamente, pilhando os direitos sociais para fazer lucrar a burguesia.

A intensificação de conflitos armados e guerras é parte da nova situação política. Ao mesmo tempo, não existem condições políticas para uma guerra mundial. A classe trabalhadora, internacionalmente, não está derrotada, e a burguesia sabe que uma grande guerra pode preparar o terreno para grandes revoluções.
Hoje, nos EUA, existe uma grande rejeição popular a uma aventura militar. As experiências no Iraque e no Afeganistão, ainda frescas na memória da população, provocaram a morte de milhares de jovens norte-americanos. As grandes manifestações nos últimos anos, em solidariedade ao povo palestino, diante do massacre realizado por Israel, também demonstram essa oposição à guerra na base da sociedade.
O que continuará a se multiplicar são conflitos e guerras localizadas, como a reacionária guerra na Ucrânia, que já dura quase quatro anos, ou o massacre de palestinos, que prossegue com violações do cessar-fogo por parte de Israel.
O “Conselho de Paz” criado por Trump não prepara a paz, mas a guerra, assim como ocorre com a ONU e seu Conselho de Segurança. O objetivo imediato declarado, de reconstruir a Faixa de Gaza, significa, na prática, uma intervenção do imperialismo no território, com a participação de Israel no conselho. O plano anunciado no Fórum Econômico Mundial é uma nova versão do que Trump chamou, no ano passado, de uma “riviera do Oriente Médio”, transformando a Faixa de Gaza em local para investimento imobiliário, incluindo a previsão de construção de 180 arranha-céus e empreendimentos turísticos. Obviamente, isso só será possível com a expulsão dos palestinos da Faixa de Gaza. E isso é de completo conhecimento do governo Lula, que prossegue sua colaboração vassala com Trump, alinhando-se com ele no combate ao “narcoterrorismo”, algumas semanas antes de Trump atacar a Venezuela e sequestrar Maduro usando exatamente esse argumento repugnante. Agora, Lula vai à Casa Branca para alinhar sua “Cooperação contra o narcoterrorismo”, continuar seu teatro sobre a defesa da soberania nacional na América Latina (!) e conversar sobre o “Conselho de Paz” de Gaza, cuja vocação é a de ser o coveiro do povo palestino.
A criação deste “Conselho de Paz” é, de fato, a tentativa de dar um passo na construção de um organismo internacional que substitua a ONU e que esteja sob controle total dos EUA. Os organismos internacionais constituídos após a Segunda Guerra Mundial, como ONU, Otan, OMC etc., têm sido cada vez mais irrelevantes. De organismos internacionais de fachada e cobertura para o imperialismo desde o fim da 2ª Guerra Mundial, agora nem mais para isso servem ou são necessários. Esta é a nova situação, de fim da ordem de Yalta e Potsdam.

Ao mesmo tempo, setores burgueses ou mesmo setores ditos de esquerda choram pelo retorno dos velhos tempos, de respeito ao multilateralismo, à ONU, ao direito internacional, ou seja, à ordem capitalista firmada ao fim da Segunda Guerra entre o imperialismo e a burocracia stalinista. Porém, essa é a ordem que ficou para trás. Vivemos a época da desordem mundial, da ofensiva sem máscaras do imperialismo e do choque entre diferentes frações da burguesia, da revolta das massas e de um crescente reordenamento das forças no interior da classe trabalhadora e da juventude, com choques e mudanças no interior das organizações tradicionais de massa da classe trabalhadora.
Esta situação representa o avanço da desagregação do mercado mundial, elemento também analisado no Informe Político do Comitê Central da OCI, de 22 de março de 2025. O tarifaço de Trump e as medidas protecionistas de diferentes países, bem como a desaceleração do comércio mundial, são expressões desse movimento, que contraria os avanços conquistados pelo próprio capitalismo em sua época revolucionária.
Aquecimento da luta de classes nos EUA
Trump tentou apresentar, em seu discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, uns Estados Unidos da América paradisíacos. No entanto, a realidade é bem diferente. A inflação em 2025 no país foi de 2,7%, acima da meta do FED, que era de 2%. A dívida federal cresce vertiginosamente e chegou a US$ 38,5 trilhões no fim de 2025, aumento de mais de US$ 2 trilhões em um ano. A taxa de desemprego chegou a 4,6% em novembro de 2025, maior patamar em quatro anos. Pesquisa publicada pelo jornal New York Times em janeiro de 2026 revelou que apenas 32% dos entrevistados consideram que os EUA estão melhores hoje do que há um ano; 49% afirmam que a situação piorou. A taxa geral de aprovação do governo Trump está em queda e chegou a 40%.
A classe trabalhadora nos EUA e sua juventude têm dado seguidas demonstrações de radicalização e disposição de luta nos últimos anos: aumento da sindicalização, realização de importantes greves (como a dos operários da Boeing, dos portuários da costa leste, a recente greve de enfermeiros de Nova York), grandes protestos contra o racismo e a violência policial, mobilizações massivas em solidariedade à Palestina e, já nos primeiros meses do novo mandato, o governo Trump foi alvo de grandes protestos em todo o país, como o movimento Hands Off, seguido pelos protestos No Kings.
Por isso, como já citado anteriormente, a resolução do Congresso Extraordinário da OCI analisava a necessidade de Trump agir para aprofundar os traços bonapartistas presentes no regime político norte-americano desde a constituição de sua República (em particular com a criação da figura do presidente), para enfrentar a resistência da classe trabalhadora.

As ações brutais do ICE confirmam essa análise. Trump está construindo uma força policial nacional de combate que possa intervir em todos os estados, passando por cima de um dos pilares da construção do Estado norte-americano, que é a ampla autonomia de cada estado constituinte. Essa é a verdadeira função do ICE, que hoje se concentra na repressão aos imigrantes (procurando dividir e destruir a unidade da classe trabalhadora) de forma brutal, mas que pode se voltar contra todo e qualquer protesto democrático. A morte de dois cidadãos norte-americanos baleados pelo ICE mostra isso. Um memorando vazado pela imprensa mostra uma orientação dada ao ICE de usar decisões administrativas sem buscar decisões judiciais para invadir residências. Tudo isso vai contra leis e regulamentos federais, municipais e estaduais. Mas Trump exige de todos a submissão a essa força que, se conseguida, será um passo significativo na instalação de um governo bonapartista (o governo “da espada”) nos EUA.
A “resistência” dos democratas (formalmente o partido de oposição a Trump) mostra que a disposição da burguesia não é a de se opor à política dele, mas simplesmente “controlá-la”. Este é o aspecto central da discussão orçamentária, em que o Partido Democrata concorda em votar o financiamento do ICE com uma “salvaguarda” de que, em duas semanas, seriam discutidas medidas de controle do ICE, como o fim do uso de máscaras e o uso de câmeras nos uniformes. Ao grito das ruas de “Fim do ICE”, “Fora o ICE”, a resposta da “oposição” democrata é “controle”, “democratização” do ICE. Estranhamente (ou nem tanto), isso lembra a discussão no Brasil, onde as ruas gritam “queremos o fim da Polícia Militar”, e seus representantes parlamentares (a esquerda parlamentar) exigem a democratização da PM, o uso de câmeras, cursos de democracia, controle pelo Ministério Público, julgamento pela Justiça Civil e não pela Justiça Militar etc.
As ações do ICE já haviam desencadeado uma onda de protestos em Los Angeles em junho de 2025. Agora, em Minnesota, as operações do ICE resultaram em milhares de prisões, invasões de casas, tiroteios e dois cidadãos norte-americanos assassinados. O assassinato de Renee Good, no dia 7 de janeiro, desencadeou uma onda de mobilizações e, no dia 23 de janeiro, uma greve geral que contou com o apoio de mais de 800 comerciantes locais, que fecharam as portas, e mais de 50 mil pessoas nas ruas de Minneapolis, contra o ICE e o governo Trump, apesar do frio intenso de 20 graus negativos. No dia seguinte à greve, agentes do ICE fizeram uma nova vítima, o trabalhador Alex Pretti. Os vídeos divulgados desse assassinato desmontam o discurso oficial de que os agentes do ICE agiram em legítima defesa. Grandes manifestações se espalharam por todo o país.
O descontentamento com o governo Trump é crescente; o aumento de medidas repressivas coloca mais lenha em uma situação explosiva. A classe trabalhadora norte-americana está chamada a construir o seu partido para abrir uma saída diante da crise. Os democratas não passam de uma das alas da burguesia imperialista norte-americana (o exemplo mais direto disso é o caso do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, eleito pelo Partido Democrata com um discurso contra Trump, mas que, logo após a vitória, foi visitar Trump na Casa Branca e declarou que tiveram acordos em vários pontos, quebrando qualquer expectativa de mudança real com a sua eleição). Os democratas não representam qualquer alternativa para a defesa real dos interesses dos explorados e oprimidos pelo capital.
A revolução ronda o mundo
Apenas no ano passado vimos revoluções e revoltas populares explodirem em diversos países (Sérvia, Indonésia, Nepal, Filipinas, Madagascar, Marrocos, Peru etc.), movimentos que fizeram governos balançarem ou mesmo serem derrubados. A Europa foi sacudida por grandes manifestações em solidariedade à Palestina, incluindo uma histórica greve geral na Itália. A França atravessa uma profunda crise política, com fortes greves contra o governo Macron. Nos EUA, a situação explosiva já relatada.
No fim de 2025, iniciaram-se os protestos que estremeceram o Irã. Uma luta iniciada por pautas econômicas que, rapidamente, se converteu em uma insurreição contra o regime dos aiatolás. A mídia e a burguesia internacional buscaram apresentar Reza Pahlavi (filho do último xá do Irã) como uma alternativa ao atual regime.
Já alguns analistas supostamente de esquerda tentam embelezar a ditadura teocrática iraniana e caracterizar essa onda de protestos como impulsionada pelo imperialismo norte-americano. No entanto, a realidade é que esta foi uma insurreição semiespontânea, massiva e popular, provocada pela crise econômica, que evoluiu para uma luta política pela derrubada do regime reacionário.

O papel de Trump em relação ao Irã auxiliou o regime com a ameaça de uma invasão militar dos EUA. Essa atitude reacendeu um sentimento nacionalista iraniano, persa, muito arraigado, que conta com uma história de mais de três mil anos. As ameaças do presidente norte-americano só servem para esvaziar parte das manifestações e levar uma camada a uma defesa anti-imperialista do Irã.
Recordemos também que, em 2025, quando Israel atacou o Irã, na chamada “Guerra dos 12 dias”, uma greve geral organizada pelos trabalhadores contra o regime estava se iniciando. Obviamente, o ataque israelense, seguido do ataque americano, acabou com a greve geral, mas ela só foi adiada e veio a explodir novamente.
Diante da ausência de uma organização nacional capaz de dirigir os protestos, o Irã deve entrar em um período de brutal instabilidade política e repressão por parte do regime para se manter no poder.
Ao redor do mundo, a traição das direções sindicais e dos partidos e líderes que dizem representar a classe operária conduz grandes revoltas ou mesmo revoluções ao impasse e à retomada da ordem burguesa. Mas é nessas lutas que a consciência de classe se desenvolve e que a direção revolucionária do proletariado pode ser forjada. E é na luta de massas que a classe trabalhadora resiste à ofensiva do capital e pode conter os ataques da burguesia, que busca aprofundar a exploração e a opressão dos povos em meio à crise.
A verdadeira face do governo Lula
No Brasil, Lula, ao mesmo tempo que, em discursos, faz críticas a Trump, na prática se curva ao imperialismo. Por isso, Trump faz elogios a Lula, fala de “química excelente” entre os dois e convida Lula para compor o seu “Conselho de Paz”, declarando: “Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no conselho da paz de Gaza”. E Lula, ao invés de recusar prontamente esse convite, condenando a criação desse conselho, que visa legitimar a ofensiva imperialista em Gaza e contra os povos do mundo, dialoga com Trump sobre a possibilidade de integrá-lo, desde que se restrinja à questão de Gaza e tenha representantes palestinos.
Nos primeiros meses de 2025, as pesquisas apontavam uma acentuada queda de popularidade de Lula e de seu governo. Então, Trump anuncia, em julho, as tarifas de 50% para os produtos brasileiros, um ataque imperialista articulado com os capachos bolsonaristas. Lula responde com um discurso de defesa da soberania nacional contra as tarifas de Trump. O governo recupera algum apoio a partir desse ataque externo, enquanto Bolsonaro e seus apoiadores se mostram ainda mais como falsos nacionalistas, traidores da pátria.
Mas uma coisa é o discurso, e outra, a prática. Lula fez falas condenando o genocídio do povo palestino na Faixa de Gaza, mas manteve as relações diplomáticas e comerciais com Israel, enviando petróleo e aço do Brasil para alimentar a máquina de guerra sionista.

Desde o início, este governo busca a unidade nacional com a burguesia, aliando-se a uma série de partidos burgueses (MDB, PP, Republicanos, PSD, União Brasil, PSB, PDT). Manteve, em todo o mandato, os ataques dos governos anteriores (privatizações, reformas da previdência, reforma trabalhista, teto de gastos, rebatizado de arcabouço fiscal etc.) e a submissão ao capital financeiro internacional, com o pagamento da dívida interna e externa.
O processo de privatizações prossegue no terceiro mandato de Lula. Entre 2023 e 2025, foram realizados 50 leilões para a privatização de rodovias, portos e aeroportos, o que representa um recorde de leilões para a privatização da infraestrutura do país em relação a todos os governos anteriores, de FHC a Bolsonaro. A privatização avança também nos estados e municípios, em particular com a privatização dos transportes e de empresas de saneamento e esgoto.
Este é um governo a serviço do capital e dos interesses fundamentais do imperialismo, que busca restaurar alguma legitimidade às desmoralizadas instituições da Nova República e conter a luta da classe trabalhadora.
Eleições e luta de classes
As pesquisas recentes colocam Lula à frente na disputa eleitoral, mas nada é certo. O governo recuperou algum apoio no decorrer de 2025, mas ainda segue com alta reprovação. Em pesquisa da AtlasIntel, divulgada em 22 de janeiro, a desaprovação de Lula está em 50,7% e a aprovação, em 48,7%. Um destaque é a juventude, de 16 a 24 anos, em que sua desaprovação chega a 75,5%. Este é um reflexo da política criminosa do governo e do PT. O partido tem visto seu desempenho eleitoral derreter nos grandes centros urbanos do país e entre os mais jovens. O resultado das últimas pesquisas coloca Lula em empate técnico no 2º turno com qualquer dos principais candidatos bolsonaristas. Assim, a polarização política vai se expressar nas eleições novamente. A direita vai se utilizar, mais uma vez, do demagógico discurso antissistema para alavancar sua candidatura.
Já o PSOL aprofundou sua integração ao PT com a entrada de Guilherme Boulos no governo Lula como ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. Se o PSOL não lançou candidatura própria a presidente já em 2022, agora, como parte do governo, estará novamente no arco de alianças de Lula, junto com partidos burgueses, desde o primeiro turno.
Os desenvolvimentos da luta de classes e do cenário eleitoral demandarão uma resolução particular sobre nosso posicionamento e intervenção nas eleições de 2026.
A classe trabalhadora no Brasil enfrenta a precarização das condições de trabalho, retirada de direitos, salários rebaixados, extenuantes jornadas de trabalho, como a escala 6×1, sucateamento dos serviços públicos e privatizações. Os casos de violência policial, racismo e violência contra a mulher aumentam como parte da decadência do capitalismo. As instituições da República seguem se desmoralizando; o caso das fraudes no Banco Master revela as relações podres entre grandes empresários, políticos e membros do STF, este poder que tenta se colocar acima dos demais com atitudes bonapartistas, em particular pelas decisões e medidas de Alexandre de Moraes.
A disposição de luta permanece na base. Vimos isso nas grandes mobilizações contra o Congresso Nacional, contra a chamada PEC da blindagem, que obrigaram o Senado a arquivar o projeto, apesar da não mobilização e da ausência das direções dos aparatos (PT, PCdoB, PSOL, PCdoB, CUT, UNE, grandes sindicatos etc.) nos atos.
Apesar das manobras do governo e da traição das direções, que desmobilizam o ímpeto de luta presente na base, a classe trabalhadora e sua juventude mantêm suas forças e um descontentamento crescente, que pode explodir a qualquer momento como parte da convulsiva situação que o mundo atravessa.
Diante da profunda degeneração do PT, da adaptação do PSOL, da política de outros partidos que se reivindicam de esquerda, que mesclam sectarismo e oportunismo sem uma expressão de massas, torna-se evidente a necessidade da construção de um partido da classe trabalhadora no Brasil, independente da burguesia, para organizar o combate contra os ataques do capital em meio à crise e abrir uma saída. É tarefa da OCI apresentar e explicar essa perspectiva, desenvolvendo uma campanha de propaganda por um partido operário independente, dirigida ao movimento sindical e à juventude.
Construção da OCI
Neste cenário internacional e nacional, é preciso ordenar as tarefas de construção da organização revolucionária, levando em consideração nossas forças e prioridades.
Reafirmamos, como consta na já citada resolução do Congresso Extraordinário de outubro de 2025, a prioridade geral de construção na juventude:
“O centro de nossa construção é a juventude, em particular os jovens secundaristas e trabalhadores. Priorizar a juventude não significa abandonar o combate no meio sindical, mas olhar com atenção especial, em cada categoria, para os trabalhadores mais jovens, que, em geral, estão mais abertos às ideias revolucionárias, especialmente nos batalhões pesados da classe operária, nos setores fabris fundamentais.
Recrutar e educar a juventude no marxismo e nos métodos de luta da classe operária, para que a juventude aprenda a ver o mundo com os olhos da classe operária, combatendo as ideias burguesas e pequeno-burguesas inseridas no movimento (identitarismo, racialismo etc.).”
O combate central de toda a organização é, nesse momento, a campanha “Fora o imperialismo e suas guerras”, iniciada a partir do pré-encontro realizado em novembro de 2025, reforçada pelo encontro convocado para 18 de abril de 2026 e que deve ser impulsionada no próximo período. Essa campanha apresenta uma perspectiva de organização e combate contra a ofensiva do imperialismo, levantando reivindicações transitórias concretas e se opondo à linha capituladora dos aparatos de defesa da democracia, da ONU, do multilateralismo e do direito internacional burguês.
Essa campanha deve se dar, prioritariamente, entre a juventude e a classe operária. É uma campanha de construção dirigida aos jovens e trabalhadores, aos novos ativistas que se destacam, sem deixar de se dirigir aos que se reivindicam anti-imperialistas no movimento dos trabalhadores. As instâncias da OCI devem eleger escolas, fábricas, universidades, locais de trabalho, eventos culturais etc. para desenvolvê-la, buscando manter uma constância de trabalho no mesmo local, com banca de materiais semanal, por exemplo, tendo como objetivo fortalecer ou abrir a intervenção em uma determinada frente escolhida pela instância. Os contatos coletados devem ser tratados com agilidade, agendando prontamente uma reunião de apresentação da organização. Também é parte integrante dessa orientação a continuidade da campanha “Você é Comunista”, que prosseguirá ligada a esse eixo de combate anti-imperialista e comunista.

O trabalho de construção exige disciplina, paciência e persistência, e não termina na integração de um novo militante. É um combate permanente e coletivo, de formação política e teórica dos militantes, nas reuniões de célula e no combate prático na luta de classes.
O internacionalismo é um princípio central para os comunistas; portanto, afirma-se a necessidade da organização revolucionária internacional do proletariado. Nós combatemos pela reconstrução da 4ª Internacional, conforme também consta na resolução do Congresso Extraordinário da OCI de 2025:
“A luta pela Internacional deve ser levada sobre a base do programa marxista, mas não se podem prever os meios e as formas que tomará para se erigir em um partido mundial da revolução socialista nesta época de guerras e revoluções, de resistência e combate, de reorganização do movimento operário sobre um novo eixo revolucionário.
É com essa perspectiva que, nesta época de guerras reacionárias, combatemos para reagrupar todos aqueles que, de fato, na prática, tenham rompido com a burguesia e o capital. Há uma necessidade histórica e urgente da luta pela construção de uma corrente comunista internacional, na qual a OCI ocupará seu lugar. Esse esforço remete à Conferência de Zimmerwald, na busca pela reconstrução, hoje, da Internacional de Lênin e Trotsky. Essa corrente internacional deve ser o fio de continuidade da luta contra o imperialismo e suas guerras, combatendo o oportunismo e o sectarismo, cimentada nas melhores tradições do marxismo revolucionário e que seja o instrumento da classe trabalhadora para varrer o regime da propriedade privada dos meios de produção, abrindo caminho para o socialismo.”
A OCI tem conquistado progressos mantendo a firmeza no marxismo, no centralismo democrático e na luta pelo comunismo com independência de classe, recusando-se a ser levada ao pântano do oportunismo ou do sectarismo. A atual situação política e as capacidades de nossa organização apresentam o potencial para um salto de crescimento da OCI e avanços em nosso trabalho por uma corrente comunista internacional. Ao combate!
CC da OCI,
07 de fevereiro de 2026
Organização Comunista Internacionalista (Esquerda Marxista) Corrente Marxista Internacional