Imagem: Francine Hellmann

Encontro Nacional Fora o Imperialismo e suas Guerras debate e impulsiona a luta anti-imperialista no Brasil

Foi realizado no dia 18 de abril, no auditório do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, o Encontro Nacional Fora o Imperialismo e suas Guerras. Mais de 400 pessoas se inscreveram na atividade, que debateu um dos temas mais urgentes da atualidade.

Entre os inscritos estavam militantes de diversas organizações, partidos, movimentos, entidades estudantis e sindicatos. A atividade foi marcada desde o início por saudações que situaram o encontro no contexto internacional da luta de classes. Mario Maestri, historiador e intelectual marxista, enviou uma saudação por vídeo, assim como Sharla Othman, representante do Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino Khader Othman. Sharla denunciou a brutalidade da ofensiva imperialista contra a Palestina e destacou o caráter ideológico da barbárie sionista.

As falas da mesa, intercaladas com saudações escritas de organizações e dirigentes, aprofundaram a compreensão de que o imperialismo não é um fenômeno externo ou distante, mas a expressão concreta da crise do próprio sistema capitalista. Portanto, lutar contra o imperialismo é lutar contra o capitalismo.

Chico Aviz, pelo Movimento Negro Socialista (MNS), apontou que o imperialismo representa a fase de decomposição da sociedade burguesa, marcada pela intensificação das opressões. Racismo e xenofobia, longe de desvios, são produtos históricos desse sistema. No Brasil, os dados escancaram essa realidade: maior informalidade entre trabalhadores negros e um índice muito superior de mortes evitáveis. Nesse sentido, ser anti-imperialista é necessariamente ser antirracista, e qualquer tentativa de solução baseada em políticas identitárias serve, na prática, para dividir a luta e justificar o sistema.

A juventude também ocupou seu papel no debate. Lucy Dias, pela Juventude Comunista Internacionalista (JCI), fez um chamado à organização dos jovens, hoje esmagados pela precarização do trabalho, pelo desemprego e pelo colapso das condições de vida. Longe de serem fenômenos isolados, esses problemas estão diretamente ligados ao avanço do imperialismo, que se expressa tanto nas guerras quanto no desmonte das universidades e dos serviços públicos. Nenhuma dessas questões, destacou, pode ser resolvida fora da luta de classes.

As saudações escritas reforçaram esse diagnóstico. Plínio de Arruda Sampaio Jr., economista e militante político, caracterizou o momento atual como o de um capitalismo da barbárie e do colapso ambiental, que no Brasil se traduz na destruição das conquistas históricas e na administração da miséria pela burguesia. Já Anísio Garcez Homem, membro do Comitê de Organização pela Reconstrução da Quarta Internacional (CORQI), destacou a urgência de ligar as lutas contra a guerra e a exploração em escala internacional, reafirmando o caráter indispensável do internacionalismo proletário.

Ivan Pinheiro, histórico dirigente comunista brasileiro, saudou a realização do encontro como uma iniciativa fundamental que deve estar na ordem do dia da esquerda revolucionária, destacando a necessidade de um diálogo respeitoso entre as correntes e da construção da unidade na ação.

A intervenção de Edinho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Serviços de Água e Esgotos Sanitários de Joinville (Sintraej), trouxe exemplos concretos da luta no terreno econômico, como o combate à privatização da empresa pública Águas de Joinville, destacando a importância da independência sindical e da organização da base. Ao abordar a privatização do saneamento, evidenciou o papel dos fundos internacionais e das políticas implementadas para entregar serviços públicos ao capital privado, demonstrando que a resistência organizada pode impor derrotas a esses projetos.

A dimensão da opressão sobre as mulheres trabalhadoras foi abordada por Mayara Colzani, do Mulheres Pelo Socialismo (MPS), que expôs como o capitalismo, em sua fase atual, intensifica a exploração, combinando baixos salários, dupla jornada e violência contra a mulher. Nas guerras, essa brutalidade atinge níveis ainda mais extremos, com deslocamentos forçados, violência sexual e massacres, como os registrados na Faixa de Gaza. Diante disso, reafirmou que não há libertação das mulheres sem a superação revolucionária desse sistema.

Na sua intervenção, Serge Goulart, secretário-geral da Organização Comunista Internacionalista (OCI), destacou que todos aqueles que vivem do trabalho e sofrem com as consequências da crise devem se voltar para a luta contra o imperialismo. Em um cenário marcado pela ampliação dos gastos militares, pela perseguição a ativistas e pelo aprofundamento das desigualdades, torna-se evidente que o sistema não oferece qualquer saída para a maioria da população. Ao mesmo tempo, denunciou o papel das direções tradicionais, que alimentam um sentimento de impotência e não apresentam caminhos concretos de enfrentamento. Manifestação disso é o papel submisso do governo Lula diante dos ataques à Venezuela e Cuba, para citar somente dois exemplos.

As contribuições do plenário reforçaram esse quadro. Foram levantadas questões como o bloqueio econômico a Cuba, que estrangula uma das principais experiências revolucionárias do mundo, a centralidade das guerras para a reprodução do capitalismo, o avanço da privatização e da exploração no Brasil e o papel do capital financeiro, que, por meio da dívida pública, se apropria de uma parcela significativa das riquezas produzidas pela classe trabalhadora.

Em todas as intervenções, uma conclusão se impôs: o imperialismo não é apenas responsável pelas guerras como a da Ucrânia e a do Irã, que desenvolvem neste exato momento, mas por um conjunto de ataques que alcançam todos os aspectos da vida social, da alimentação ao emprego, da educação à moradia. Diante disso, a luta contra o imperialismo se coloca como a tarefa central do nosso tempo.

O encontro afirmou, portanto, a necessidade de organização e ação. Em um momento em que a crise do capitalismo se aprofunda e suas consequências se tornam cada vez mais evidentes, a construção de uma resposta coletiva, internacionalista e enraizada na classe trabalhadora deixa de ser uma possibilidade distante para se tornar uma urgência histórica.

Ao final, foi submetida ao voto dos participantes a proposta de declaração final do Encontro Nacional Fora o Imperialismo e suas Guerras. O documento destaca:

“Uma vez mais, a Humanidade está diante da alternativa histórica fundamental: o declínio de todos os  aspectos da vida e da cultura, verdadeiramente humanos, o afundamento social no caos, nas guerras e na  mais violenta luta pela sobrevivência individual ou o florescimento do conjunto dos povos em direção a uma  verdadeira irmandade mundial, a liberação do conjunto das capacidades, físicas e intelectuais, de todos e  de cada um, para a edificação de um futuro de felicidade, harmônico e em toda a sua plenitude.”

O texto recebeu emendas propostas pelos participantes e, ao final, foi aprovado por unanimidade.