Imagem: Nicole Goulart

Canoas em chamas: a vanguarda dos educadores rompe o cerco da burocracia e a intransigência de Airton Souza

A pauta que move os educadores de Canoas, RS, é um manifesto contra o desmonte da educação pública. A categoria exige, de forma inegociável: a reposição imediata da inflação acumulada, o cumprimento do Piso Nacional do Magistério para todos os níveis e o enquadramento das Técnicas em Educação Básica conforme a Lei 15.326/26. Além disso, a luta abrange a melhoria urgente das condições de trabalho, com a reforma das escolas sucateadas, o fim da sobrecarga e a garantia de direitos históricos que vêm sendo fatiados pela gestão municipal. Não se trata apenas de números, mas da sobrevivência de quem sustenta o ensino público na cidade.

No último dia 14 de abril, as ruas de Canoas foram tomadas por uma demonstração inequívoca de força. O que a diretoria do Sindicato dos Professores Municipais de Canoas (Sinprocan) planejou como uma paralisação contida transmutou-se, pela pressão das massas, em um autêntico levante contra o projeto de miséria da administração de Airton Souza. Os educadores romperam o imobilismo e transformaram a indignação em ação direta. A resposta do Executivo foi o escárnio: enquanto a secretária Beth Colombo era repelida pela massa nas ruas, o prefeito Airton Souza limitou-se a estender uma “bandeira branca” da sacada da prefeitura, um gesto vazio que apenas inflamou a determinação dos trabalhadores.

É preciso que a categoria compreenda o trunfo estratégico que tem em mãos: o tempo joga a favor dos trabalhadores. Ao se recusar a pagar os dias de paralisação anteriores, o prefeito Airton Souza caiu em sua própria armadilha administrativa. Sem o pagamento e a devida compensação desses dias, o calendário escolar não fecha — e o governo é obrigado por lei a garantir o cumprimento dos 200 dias letivos. À medida que a greve se estende, a pressão sobre o gabinete aumenta exponencialmente. A manutenção da greve é, portanto, necessária para a conquista das demandas integrais.

A tentativa de contenção do movimento por parte da cúpula sindical foi atropelada pelo ímpeto de luta da categoria. Mesmo diante de ameaças de corte de ponto e da disseminação de notícias falsas, a base demonstrou que não aceitará mais migalhas. A proposta da prefeitura — um parcelamento vergonhoso da inflação em oito vezes, sem o pagamento do retroativo — é uma afronta que ignora o acúmulo de perdas históricas e o aumento do custo de vida.

A administração municipal tenta agora manobrar com reuniões a portas fechadas na Câmara, buscando desmobilizar o comando de greve antes mesmo da consulta à assembleia. É preciso manter a vigilância e a auto-organização. A força demonstrada nas ruas prova que a vitória depende da manutenção da greve e da recusa total às contrapropostas divisionistas da prefeitura. A luta por salário é a luta pela dignidade da educação pública e contra a política de destruição dos serviços básicos em favor dos interesses do capital.

  • Todo apoio à greve dos professores de Canoas!
  • Pela reposição imediata e integral!
  • Se o prefeito quer o calendário fechado, que pague o que deve!
  • Abaixo o sucateamento e a coação!