O envio de três destroieres norte-americanos, armados com mísseis, acompanhados de dois aviões de vigilância e de 4 mil marinheiros e fuzileiros navais para águas próximas ao território venezuelano é um evidente ato de agressão imperialista contra os trabalhadores da Venezuela.
Alegando uma operação contra o Cartel de los Soles e utilizando como pretexto a “guerra às drogas” e o combate ao terrorismo, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou na terça-feira (19) que os Estados Unidos estão preparados para “usar toda sua força” (oferecendo, inclusive, uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro), que, na verdade, será direcionada contra a classe trabalhadora da Venezuela.
Historicamente, os Estados Unidos trataram a América Latina como o seu quintal e interferiram diretamente na região, apoiando governos corruptos e organizando golpes de Estado que impuseram ditaduras sangrentas responsáveis pelo desaparecimento e morte de milhares de jovens, trabalhadores e camponeses, enquanto saqueavam, e saqueiam, todas as riquezas nacionais da região.
Os problemas enfrentados internamente pelo povo venezuelano contra o governo Maduro, que traiu os ideais da Revolução Venezuelana, devem ser enfrentados pela sua própria classe operária e não pelo imperialismo dos EUA.
Há cerca de 20 anos, a classe trabalhadora da Venezuela fez uma revolução que deu uma poderosa demonstração de que as massas oprimidas organizadas podem enfrentar a maior e a mais reacionária potência imperialista do planeta. A burguesia norte-americana, incapaz de aceitar tamanha ousadia, tem organizado, ao longo das últimas décadas, diversas tentativas de golpes e invasões para enterrar esse exemplo.
Os trabalhadores do Brasil, também oprimidos pelo imperialismo, participaram junto com os trabalhadores da Venezuela do movimento de ocupação de fábricas no início dos anos 2000. Os companheiros da Cipla, da Interfibra e de mais de 35 fábricas se somaram aos companheiros venezuelanos pela ocupação de fábricas e pelo controle operário.
As tentativas de ingerência, tanto no Brasil quanto na Venezuela, são produtos diretos da opressão e da exploração imperialista sobre os nossos países. Portanto, a classe operária venezuelana e brasileira estão irmanadas por combates que já travaram, inclusive juntos.
Para Donald Trump e seus agentes imperialistas, é inaceitável pessoas comuns acreditarem que têm o direito soberano de decidir coletivamente sobre os seus destinos, que ameacem a propriedade privada e os lucros. Para esses senhores, já passou da hora de afogar esse exemplo em rios de sangue.
O que irá barrar esse ataque, e o que nos une, é a solidariedade e o combate internacional da classe operária. Essa ameaça contra a Venezuela não é um ato isolado. Trump também busca, por meio de suas tarifas e outras ameaças, interferir diretamente na política brasileira. Mas, em todo o continente americano, essa luta vai se levantar e derrotar os ataques imperialistas. Nos EUA, a classe operária está perdendo suas ilusões em seus governantes e partidos e será nossa grande aliada na luta pelo socialismo em todo o mundo.
Como explicaram nossos camaradas da seção norte-americana da Internacional Comunista Revolucionária (ICR):
“Os trabalhadores nos Estados Unidos devem se unir aos trabalhadores e às massas pobres de toda a América Latina para se opor ao governo dos EUA, exigir a retirada de todas as forças militares norte-americanas e o fechamento de todas as bases dos EUA na região. (…)
O governo dos EUA é inimigo dos trabalhadores tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. Unidos, os trabalhadores podem derrotar o imperialismo norte-americano e lutar por uma federação socialista da América do Norte, Central e do Sul.”
É nesse sentido que estamos chamando, para o dia 20 de novembro, o “Encontro Nacional Fora o Imperialismo e Suas Guerras!”, pois devemos recolocar nas ruas a luta anti-imperialista revolucionária! É hora de mobilizar por medidas concretas em defesa da classe trabalhadora e da juventude diante da ofensiva imperialista. Os trabalhadores da Venezuela não estão sozinhos nesse combate: devemos confiar na força da classe trabalhadora de todo o mundo!
- Fora o imperialismo! Fora Trump, retirada imediata de todas as forças militares dos EUA!
- Tirem as mãos da Venezuela!
- Fora o imperialismo e suas guerras contra os povos!
- Abaixo o capitalismo! Viva a luta pelo socialismo!
- Por uma Federação Socialista da América no Norte, Central e do Sul!
- Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!
Organização Comunista Internacionalista (Esquerda Marxista)