“O proletariado, na sua luta pelo poder, não tem outra arma senão a organização.” (Vladimir Lênin, Um Passo em Frente, Dois Passos Atrás, 1904)
No dia 24 de março, no Distrito Federal, foi realizada, pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (Sindmetrô-DF), uma assembleia geral extraordinária dos metroviários, na qual foi decidida, por ampla maioria, a paralisação total das linhas de metrô. O principal motivo da greve é o sucateamento e a precarização do metrô e das condições de trabalho, bem como a diminuição de equipamentos e da capacidade. Inicialmente, a greve começaria no dia 30, em uma segunda-feira, mas teve seu início prorrogado, devido às negociações com o Governo do Distrito Federal, até o dia 15 de abril.
Uma das principais reivindicações é justamente a ausência de concursos públicos. O último concurso realizado foi em 2013, há 13 anos. Desde então, o número de trabalhadores efetivos só tem caído, e a ausência da entrada de novos trabalhadores faz com que os metroviários fiquem cada vez mais sobrecarregados, gerando adoecimento físico e mental de forma generalizada. Afastamentos causados por exaustão têm se tornado cada vez mais comuns e frequentes.
Somente a partir da organização dos trabalhadores do metrô foi possível impedir que o sucateamento ocorrido até agora fosse maior, mais visceral e generalizado do que já é atualmente. Somente a partir dessa mesma organização será possível barrar o deterioramento sistêmico em sua totalidade e garantir, nas melhores condições, os meios de realização do trabalho para os trabalhadores.
É necessário entender que o sucateamento e a precarização geral não são ocasionais ou sem intenção. A intenção é extremamente clara e evidente. O objetivo de todo esse descaso com os metroviários e os trabalhadores do DF que utilizam o metrô é a privatização. O Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, é o principal rosto dessa pressão pela privatização. Em 2019, ele afirmou que, até o final daquele ano, a privatização ocorreria. Em 2022, quando reeleito, afirmou que o Tribunal de Contas do Distrito Federal estava atrapalhando o governo. Empresas como China Railway, América Assessoria Empresarial Ltda., Motiva (antiga CCR), Metrô São Paulo e Urbi Mobilidade Urbana manifestaram interesse imediatamente após a publicação do edital que solicitava manifestação de interesse em estudos de viabilidade (PMI).
Como marxistas, é essencial entender as coisas para além da sua aparência, para além dos fantoches da burguesia que se colocam à nossa frente, escondendo a real essência. As pressões voltadas à privatização do metrô são não apenas um movimento por parte da burguesia nacional e/ou local, mas também pressões executadas e fortalecidas pelo avanço do imperialismo. O capitalismo é um sistema que não se limita às fronteiras nacionais; é um sistema que transborda delas e teve de se espalhar por todos os cantos do globo terrestre para continuar existindo. As diversas pressões por privatizações que vêm ocorrendo, não apenas no Distrito Federal, mas em todos os estados do Brasil, são intensificadas pelo avanço brutal do imperialismo que presenciamos em nossos tempos. Invasões declaradas e intervenções militares na América Latina, no Oriente Médio e em todas as partes do mundo têm como causa a necessidade colossal de expansão dos mercados e do capital.
Nós, da Organização Comunista Internacionalista (OCI), prestamos todo o apoio à greve dos metroviários, mas também entendemos que esta é um instrumento extremamente precioso do proletariado em luta, mas não pode ser, de forma alguma, um fim em si mesma. Ela é uma forma de combate dos trabalhadores frente à expropriação burguesa, mas a organização do proletariado não deve se esgotar nela; pelo contrário, deve se fortalecer com o seu desenvolvimento. É nas greves que o trabalhador experimenta, na prática, o poder real de sua organização; é na paralisação que o proletariado visualiza, como nunca antes, o fato de que, sem ele, nada funciona. É preciso que a greve se transforme e ganhe um caráter imensamente maior do que as suas reivindicações atuais; é preciso transformá-la em um movimento que não se dissipa e que aponta em direção à revolução comunista.
Para que isso ocorra, é necessária a organização da classe trabalhadora em seus locais de trabalho e estudo, sob a égide de uma direção e de um programa revolucionário e internacionalista, que garantam aos trabalhadores sua dignidade e condições de subsistência, lazer, descanso e estudo. É necessária a formação de trabalhadores e trabalhadoras de todas as idades na teoria revolucionária do proletariado, a partir de sua organização, para enfrentar os avanços do imperialismo e da burguesia nacional. Sem a organização do proletariado, nada pode lhe garantir uma vida digna e plena no sistema capitalista; pelo contrário, sua vida é ameaçada cotidianamente, seja pelo aumento da passagem do metrô, seja pelo mau funcionamento das linhas causado pela sua privatização. É preciso lutar não só contra a privatização do metrô do DF, mas contra todas as privatizações em todos os cantos do país, e lutar contra os avanços do imperialismo em todos os cantos do mundo. É necessário acender no proletariado a consciência de sua força, pois os trabalhadores têm um mundo a ganhar, e já é hora de ganhá-lo.
Organização Comunista Internacionalista (Esquerda Marxista)