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A luta de classes e as direções ao lado dos capitalistas: o que nos mostra o estudo do Dieese sobre as greves em 2025

O Dieese fez um estudo sobre as greves de 2025. Uma primeira conclusão é que os trabalhadores estão mais impacientes e o número de greves aumentou:

“O total de greves de 2025 aumentou 14% em relação ao ano anterior — de 880 para 1.006 mobilizações. Nas empresas estatais, esse crescimento foi de 54% e, na esfera privada, de 23%. No funcionalismo público, o número de greves permaneceu praticamente o mesmo. As greves da esfera privada predominaram sobre as da esfera pública (funcionalismo público mais empresas estatais).”

É interessante ver que aumentou o número de greves, mas diminuiu o número de horas paradas — principalmente porque as greves longas de servidores diminuíram. Por outro lado, na iniciativa privada, as horas paradas aumentaram em 13%. Em outras palavras, o confronto entre capital e trabalho está aumentando, ainda que o número de greves não seja tão visível.

Os setores estatais que pararam foram majoritariamente municipais e, nas empresas públicas, urbanitários e Correios. Ou seja, além de um setor em renovação constante (servidores municipais), temos também setores industriais (urbanitários). Ressalte-se, no setor estatal, a existência de 14 greves contra privatizações (sem maiores dados sobre os resultados). Foram 20% das greves no setor.

No setor privado, destaque para os trabalhadores rodoviários urbanos. Também tivemos greves no setor privado de limpeza e conservação e preparo de refeições. Além disso, o setor de construção e manutenção industrial também teve grande participação.

O que se destaca, em termos políticos, nesses números:

  1. O aumento do número total de greves. Desde que o Dieese começou a contabilizar esse número, somente 1989, 1996 e 2013 tiveram mais greves que o ano passado.
  2. Apesar do maior número de greves, elas não foram massivas como as que sacudiram o Brasil nos anos 80 e 90. A maior parte das greves aconteceu em empresas, e não em categorias.
  3. Vários setores-chave do proletariado — metalúrgicos, ferroviários e metroviários, químicos e petroleiros, bancários — tiveram uma participação muito pequena nessas greves.
  4. A maioria das greves teve um caráter “defensivo”, ou seja, ocorreu pelo descumprimento, por parte do patrão, de acordos ou negociações coletivas. As greves que reivindicavam novos direitos foram menores em relação às defensivas. A maior parte das greves no setor privado deveu-se ao não pagamento de salários na data prevista.

Um outro documento do Dieese (boletim especial do 1º de Maio) destaca que, entre as principais reivindicações, estão o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho. O problema vem nos parágrafos seguintes, nos quais se destacam como avanços no último período (governo Lula, sem citar isso) a valorização do salário mínimo, a redução do desemprego e a Reforma Tributária. Mas como isso se dá no nível real dos trabalhadores?

Vejamos a tabela abaixo.

Ou seja, se olharmos os valores corrigidos, apesar do aumento real do salário mínimo de 6,78%, o valor médio dos salários totais reduziu 13,57%! Em outras palavras, durante o governo Lula, o “aumento” do salário mínimo foi bancado não pela redução do lucro patronal, mas pelo achatamento salarial das camadas menos proletarizadas.

Em termos estatísticos, as medidas mostram que os trabalhadores que recebem até dois salários mínimos aumentaram de 82% para 85%, enquanto os que recebem de dois até cinco salários mínimos reduziram de 10% para 9%, e os que recebem mais de cinco salários mínimos recuaram de 7,6% para 6,6%.

Se olharmos o site da CUT, vemos como a central está encarando as lutas dos trabalhadores. Redução do salário real da maioria dos trabalhadores? Nada a falar. Mobilizações pelo fim da jornada 6×1? Somente pressão parlamentar! Manifestações e greves por uma pauta nacional? Unificação de greves que estão acontecendo, como a dos professores de São Paulo, com outras municipais? Aliás, a greve dos professores do município de São Paulo nem está nos destaques da CUT.

As greves estão aumentando, e isso prenuncia uma nova temporada de lutas. A tarefa dos comunistas é prestar atenção nessa situação e procurar intervir para ajudar a classe trabalhadora a forjar uma nova direção no interior desses combates de classe.