Imagem: Fernando Frazão, Agência Brasil

Para conquistar o fim da escala 6×1: mobilização, pressão parlamentar ou distração eleitoral?

O fim da escala 6×1 deverá ser votado na Câmara dos Deputados. Há um forte lobby patronal em curso para travar a votação ou para desidratar a proposta, com o estabelecimento de “regras de transição” e “compensações” aos capitalistas para aprovar o fim da 6×1.

Claro, é possível que a proposta seja aprovada, mas isso não exime Lula de suas responsabilidades, entre elas a de revogar a Reforma Trabalhista de 2017. Entre outros pontos, a reforma estabelece que o negociado prevalece sobre o legislado. Ou seja, mesmo que o fim da escala 6×1 seja aprovado e vire lei, os acordos coletivos assinados entre as entidades patronais e os pelegos sindicais prevalecerão. Se um acordo coletivo prevê uma jornada de 44 horas semanais, numa escala 6×1, é isso que continuará a prevalecer, e nada vai mudar na vida do trabalhador.

Enfim, não podemos semear ilusões no Congresso nem no governo Lula. Precisamos de mobilização, já!

O fim da escala 6×1 parece estar inteiramente nas mãos dos parlamentares agora, mas a iniciativa precisa voltar para os trabalhadores e para as ruas.

No dia 1º de Maio, em uma plenária em São Paulo, convocada pela deputada federal Sâmia Bomfim — da qual participamos junto com centenas de dirigentes sindicais e ativistas de diferentes organizações políticas —, deixamos claro que precisamos aprofundar as mobilizações em curso para conquistar o fim da 6×1.

Porém, no dia 08, ocorreu uma plenária nacional das centrais sindicais, e não foi isso que foi debatido. A posição das principais centrais e da CUT, em particular, é a de pressionar os deputados e senadores, somente isso; nada de calendário de mobilizações, nada de luta nas ruas.

Mais do que isso, para garantir que o fim da 6×1 seja aprovado agora, sem meias medidas ou compensações, é preciso organizar um calendário de mobilizações, numa crescente de atividades e assembleias de base nos locais de trabalho, para a construção de uma greve geral no país!

A greve dos trabalhadores da PepsiCo, em novembro de 2024, mostra o caminho. Apesar de não terem conquistado o fim da 6×1 ainda, a luta garantiu um dia a mais de folga por mês aos sábados e colocou a patronal na parede: a Pepsi teve que recorrer ao TRT para derrotar a greve. Generalizar essa experiência para todas as categorias que são exploradas na escala 6×1 é fundamental para garantir a redução da jornada sem redução dos salários!

Há 20 anos, os trabalhadores da Cipla, em Joinville, reduziram a jornada para 30 horas semanais, sem redução dos salários. Conseguiram fazer isso numa fábrica que estava à beira do fechamento, com maquinário sucateado. Alcançaram essa vitória porque decidiram tomar os rumos da empresa com as próprias mãos. Para não ficarem desempregados, demitiram o patrão e retomaram a produção sob controle operário.

Já a PepsiCo, multinacional americana, para garantir seus lucros, explora à exaustão os trabalhadores brasileiros e resiste por todos os meios em aplicar o fim da 6×1 em suas unidades.

Esses exemplos mostram que o imperialismo, as multinacionais e os patrões são sanguessugas e que os trabalhadores podem organizar a produção sem eles. E, se os trabalhadores são capazes de gerir os rumos de uma fábrica sem os patrões, também são capazes de dirigir os rumos do país!

A luta, portanto, é por um governo dos trabalhadores e para os trabalhadores, sem patrões, para estatizar os meios de produção e planificar democraticamente a economia sob o interesse da maioria da população, e não de uma minoria parasitária.