Imagem: Romerito Pontes, Wikimedia Commons

Em defesa do povo palestino – Reverter a condenação de Zé Maria

O presidente do PSTU, Zé Maria, foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto pelo juiz Massimo Palazzolo, com a seguinte argumentação na sentença: “Insta salientar que a crítica ao Estado de Israel, por si só, não configura uma prática antissemita ou tampouco antissionista; contudo, as mensagens transmitidas pelo acusado demonstram um teor degradante, generalista e de cunho preconceituoso em relação tanto à comunidade judaica como ao movimento sionista.”

Esta sentença procura, na realidade, confundir três objetos diferentes – comunidade judaica (ele deveria querer se referir ao “povo judeu” ou à “religião judaica”), o movimento sionista e o Estado de Israel.

O que Zé Maria explicitou — e estamos de acordo com ele sobre isso:

“‘Vamos manter a nossa luta em defesa do povo palestino, contra o genocídio e pelo fim do Estado sionista, racista e colonialista de Israel, por uma Palestina laica, democrática e não racista, onde todos os povos, judeus, árabes e de todas as etnias e religiões possam conviver pacificamente’, afirma Zé. ‘Palestina livre, do rio ao mar’.”

A OCI defende o fim do Estado de Israel, por compreender que este é um Estado confessional, racista e antidemocrático. Isto se pode ver em questões básicas, como o acesso à moradia (membros da religião judaica praticantes têm acesso facilitado em relação a outros grupos, como judeus não praticantes, de outras religiões, inclusive cristãs, e que não têm religião!). Além disso, recentemente, o Estado de Israel aprovou uma lei que permite a pena de morte para “palestinos”, mas, nas mesmas circunstâncias, ela não será aplicada a “judeus”. Estes são exemplos, e podemos citar muitos outros, de que o Estado, em si e por si, é um Estado racista. Além do massacre que está fazendo em Gaza, o comportamento do Estado de Israel na Cisjordânia ocupada, onde despeja palestinos em favor de ocupantes judeus que não moravam naquela área, é outro exemplo disso.

Nós defendemos um único Estado em toda a Palestina histórica, com direitos democráticos e iguais para todos os habitantes, um Estado laico e democrático.

O sionismo não é igual aos israelenses, ao povo judeu ou aos adeptos da religião judaica. Pelo contrário, existem dezenas de igrejas judaicas que condenam o sionismo e todo o movimento sionista, que é um movimento político de direita que proclama o “povo judeu” como acima dos outros e tendo o direito divino de matar e torturar todo aquele que não for judeu. Parece muito com outros movimentos que já existiram na história… e que se colocavam contra os judeus, inclusive. Nem todos os israelenses são sionistas, e muito menos os judeus. Querer confundir, como faz o juiz, que criticar politicamente o movimento sionista — que pode e deve ser criticado como qualquer movimento político por aqueles que dele discordam — com atacar os judeus é aceitar a argumentação destes mesmos sionistas. Nós somos contra o sionismo, pois este é um movimento político de extrema-direita, racista, que constitui em Israel um regime confessional de apartheid.

O que o juiz fez foi confundir três coisas diferentes com uma finalidade política – defender Israel e os sionistas, defender o movimento sionista e querer restringir o direito de crítica de todos os que defendem os palestinos!

Defender Zé Maria contra essa condenação absurda, impulsionada pelos sionistas no Brasil, é parte da luta pela libertação do povo palestino; é barrar a ofensiva judiciária contra todos os que defendem os palestinos.

Breno Altman também foi condenado em primeira instância e depois inocentado. Vamos nos manifestar e garantir que esta sentença seja revertida.