TAE da UFMT deflagram greve e aderem ao movimento paredista da Fasubra / Imagem: Sintuf-MT

Todo apoio à greve dos trabalhadores técnicos-administrativos da UFMT

Os trabalhadores técnico-administrativos em educação (TAE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) iniciaram uma greve no dia 13 de abril de 2026, em defesa de direitos historicamente reivindicados pela categoria e contra o descumprimento de acordos firmados pelo governo federal na última greve nacional, em 2024.

A greve ocorre em um cenário contraditório. Apesar da importância das reivindicações, o movimento encontra dificuldades de mobilização e isolamento político, tanto pela ausência dos docentes (Andes) quanto pela posição adotada por outros setores do funcionalismo federal ligados aos Institutos Federais (Sinasefe).

A Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) optou por conduzir uma greve isolada dos TAE das universidades federais, ao não conseguir uma construção unificada com o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), ambos pertencem à mesma carreira, o PCCTAE, e enfrentam os mesmos problemas. Os trabalhadores dos Institutos Federais, liderados pelo Sinasefe, optaram por não aderir ao movimento, refletindo a hesitação que se verifica em gerar conflitos com o governo Lula.

Como consequência, a paralisação encontra limites concretos em sua capacidade de pressão sobre o governo. Na UFMT, grande parte dos serviços da universidade é atualmente terceirizada, resultado da política de precarização e sucateamento das universidades, o que permite a continuidade parcial do funcionamento da instituição mesmo durante a greve. Isso reduz o impacto imediato do movimento e dificulta a ampliação da mobilização entre docentes e estudantes.

Entre as principais reivindicações dos técnicos está a regulamentação definitiva da jornada de 30 horas semanais, organizada em três escalas contínuas de 6 horas, que resultaria na ampliação do atendimento à comunidade universitária. Embora essa jornada já venha sendo aplicada em alguns setores, ela ainda carece de regulamentação formal, deixando os trabalhadores em situação de insegurança administrativa e excluindo grande parte que continua em jornada de 40 horas semanais.

Outra pauta central é o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), mecanismo que prevê valorização salarial e funcional mediante comprovação de habilidades administrativas e formação complementar por meio de certificados e experiências profissionais. Consta entre as reivindicações uma pauta interna que cobra da reitoria da UFMT a valorização dos trabalhadores técnico-administrativos com paridade nos órgãos universitários, políticas de saúde do trabalhador, combate ao assédio e garantia de condições dignas de trabalho. 

A greve também revela um problema político mais profundo: a fragilidade da mobilização sindical entre os trabalhadores mais jovens. Na UFMT, o movimento conta com pouca participação da juventude na atividade sindical. Muitos espaços organizativos da greve são compostos majoritariamente por aposentados e antigos dirigentes.

Esse cenário expressa a crescente descrença de amplos setores da juventude trabalhadora nas estruturas sindicais tradicionais. Ao mesmo tempo, mostra-se presente um grande receio de setores da direção do movimento grevista em realizar enfrentamentos mais duros contra o governo Lula, limitando o alcance político da greve e dificultando sua expansão.

Os trabalhadores da educação federal necessitam de unidade, mobilização nacional e independência política para conquistar suas reivindicações. Como sempre reiteramos: nenhum direito foi conquistado sem luta! É preciso ampliar o debate entre estudantes, docentes, trabalhadores técnico-administrativos, terceirizados e toda a comunidade universitária em defesa da educação pública para todos e dos direitos dos servidores, para que a ferramenta da greve possa alcançar seus objetivos de mobilização e alcançar os direitos reivindicados.

  • Todo apoio à greve dos trabalhadores técnico-administrativos da UFMT!
  • Pela unidade e unificação das lutas!
  • Lula, atenda às reivindicações!