Imagem: Guilherme Farpa, Divulgação

Greve na USP: reivindicações justas pela permanência, direção que desorganiza e o esquerdismo infantil

A repressão à greve dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP), que já contava com a aplicação de provas e faltas, foi ampliada com uma repressão brutal e gangsterista da Polícia Militar de Tarcísio contra os estudantes que ocuparam a reitoria. Os ataques foram realizados durante a madrugada, com gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral, corredor polonês, cacetadas e prisões, na tentativa de aterrorizar o conjunto dos estudantes que lutam por reivindicações justas de permanência na universidade.

Isso é inaceitável e exige uma resposta organizada. Assembleias unitárias e massivas devem ser organizadas para eleger comandos de greve de base e exigir a expulsão da polícia do campus, a punição dos policiais agressores e o atendimento das reivindicações, incluindo o direito de greve.

USP, Unesp e Unicamp enfrentam condições similares de arrocho orçamentário porque a fonte de recursos é a mesma. A adesão à greve estudantil pelas pautas de permanência está se espalhando porque atinge todos os estudantes. A situação, no entanto, tende a piorar. A reforma tributária vai progressivamente extinguir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e implantar o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) a partir deste ano.

A proposta do Fórum das Seis (que reúne representantes dos trabalhadores e estudantes da USP, Unesp, Unicamp e Centro Paula Souza) é que a atual alíquota-parte que financia as universidades paulistas, hoje correspondente a 9,57% do ICMS-QPE, seja substituída por um percentual da Receita Tributária Líquida (RTL) de 8,64%, sendo esse valor apenas correspondente aos recursos atualmente recebidos.

No entanto, o orçamento atual já é insuficiente. É necessário ampliar a reivindicação para toda a verba necessária, em vez de disputar uma minúscula porcentagem correspondente à arrecadação. É preciso ampliar o orçamento e exigir verbas federais para garantir o acesso universal e a permanência estudantil para todos os estudantes. Aqui entra o papel da União Estadual dos Estuantes de São Paulo (UEE-SP) e da União Nacional dos Estudantes (UNE), dirigidas majoritariamente pela UJS-PCdoB.

As entidades participam da greve sem, no entanto, articular um comando de greve e pautas unificadas entre as três universidades estaduais, o que aumentaria a força e o potencial de negociação dos estudantes para a conquista de reivindicações centrais comuns a todos.

Ao mesmo tempo, não há nenhuma mobilização nacional impulsionada e articulada pela UNE em relação aos estudantes das universidades e institutos federais, que têm auxílios-permanência inclusive menores que os da USP. Isso ocorre em meio à greve dos servidores técnicos e administrativos em mais de 50 instituições federais. A UJS-PCdoB, que dirige majoritariamente a UNE, silencia a esse respeito porque está interessada em apoiar a reeleição de Lula para a presidência; portanto, nacionalizar lutas ofensivas contra o governo social-liberal do PT não está em sua agenda.

Por outro lado, ações vanguardistas, como a própria ocupação da reitoria realizada por cerca de 400 estudantes em uma universidade com mais de 90 mil, refletem a infantilidade esquerdista de uma parte das direções do movimento que, sem conscientizar e mobilizar amplamente a base, substituem o conjunto dos estudantes por ações diretas de pequeno grupo que esvaziam o movimento e afastam o corpo discente.

Se a greve estudantil alcançar suas reivindicações, isso ocorrerá superando a direção da UNE, que está atuando para o isolamento desses movimentos; ocorrerá também superando as direções vanguardistas, que atuam substituindo os estudantes. Ambos os setores têm responsabilidade no desenvolvimento de uma situação de impasse e derrota.

Os estudantes já compreenderam que os problemas das universidades paulistas têm uma raiz comum: a política privatista do governo. E estão dispostos a lutar. Para enfrentar Tarcísio e garantir a conquista das reivindicações pela permanência, é necessária a unidade da classe trabalhadora e a aliança operário-estudantil: unificar pautas e o comando de greve eleito pela base; conquistar o apoio e a adesão de outros setores da classe trabalhadora sob ataque (metroviários, ferroviários, urbanitários, professores etc.) em direção a uma luta política, com métodos proletários de ação de massas, contra o governo Tarcísio e contra o capitalismo.

As reivindicações e a vitória da juventude não estão separadas das reivindicações gerais e da vitória da classe trabalhadora e de seus métodos históricos de luta.