Imagem: OCI

Amazon anuncia plano de demissão em massa

A Amazon anunciou, na última semana, o corte de 30 mil funcionários. As demissões começaram em 28 de outubro e atingem os setores de logística, pagamentos e serviços em nuvem (AWS). O CEO Andy Jassy comunicou que é uma “compensação das contratações que fizemos durante a pandemia”.

Mentira. Durante a Covid, enquanto o povo estava trancado em casa, a Amazon contratou massivamente para lucrar sobre o isolamento. Agora que aquele ciclo de lucro já foi realizado, os trabalhadores “extras” viraram custo a eliminar. Mas não só isso: os demitidos sempre pressionam os salários dos que continuam na empresa.

O modo como os cortes são feitos mostra como funciona a exploração do sistema pútrido em que vivemos. A Amazon tem cerca de 1,5 milhão de funcionários. Desses, 350 mil trabalham em postos corporativos (engenheiros e analistas), ganhando de US$ 150 mil a US$ 200 mil por ano. O restante, 1,15 milhão de pessoas, trabalha em galpões de logística ganhando anualmente de US$ 30 mil a US$ 40 mil.

E o “algo a mais” fica aparente quando olhamos a fundo. Jassy confessou, há três meses: “vamos precisar de menos pessoas quando a inteligência artificial crescer”. Ou seja, máquinas no lugar de pessoas. Uma máquina não cobra salário, não fica doente, não faz greve. Por isso, o capital escolhe máquinas. Não é “progresso inevitável”: é uma simples escolha capitalista, o lucro do capital constante acima do gasto com capital variável, os salários.

Mesmo dizendo que o problema está nas contratações durante a pandemia, período em que, na realidade, a maioria dos contratados foi para os centros de distribuição, a fim de suprir a logística necessária para absorver a grande demanda de entregas no período de lockdown, a Amazon não está corrigindo um “erro de previsão”. Está seguindo a lei capitalista de reduzir custos para acumular cada vez mais valor, ter mais lucro com menor gasto futuro e, ao mesmo tempo, aproveitar as demissões para intensificar a competição entre os trabalhadores por menos vagas e com salários cada vez menores. Isso fica evidente quando analisamos o movimento geral das Big Techs.

Além disso, na semana passada, vazaram documentos internos — algo que aconteceu pela segunda vez, assim como quando um memorando do Google foi divulgado — evidenciando o que estamos denunciando aqui.

Dessa vez, o memorando vazado da Amazon revela um plano da gigante de demitir 600 mil funcionários até 2033, substituindo-os por robôs e inteligência artificial. O foco está principalmente nos centros de distribuição, por meio do sistema robótico BlueJay e do Project Eluna. Esses projetos de automação serão agora apelidados de “tecnologias avançadas” ou “cobots”, termos novos para mascarar a velha prática de substituir trabalho humano por máquinas. Leia mais em “Futuro, robôs e a Boston Dynamics“.

Os cortes atingem tanto as áreas corporativas, mais expostas à automação por Inteligência Artificial (IA), quanto os centros de distribuição, cada vez mais substituídos por robôs que usam a mesma IA desenvolvida nas outras áreas. No fim, toda a força de trabalho é impactada pelo avanço do capital constante e pela busca das empresas em reduzir custos por meio da demissão e do rebaixamento salarial.

Nesse meio-tempo, Andy Jassy foi recompensado com milhões em bônus. Já a “compensação” oferecida aos demitidos é de apenas alguns meses de seguro-desemprego e, é claro, a possibilidade de disputar cada vez menos vagas.

Não é o sistema que está quebrado e precisa ser reparado. Este é o sistema funcionando segundo sua lógica: a da lei da acumulação capitalista. A saída não é aceitar migalhas; é a organização. É garantir que a tecnologia criada (servidores, algoritmos e tudo o mais) esteja sob o controle de quem trabalha, e não de Bezos e sua quadrilha de capitalistas.

Os principais avanços na luta entre trabalho e capital nasceram da união entre teoria sólida e organização revolucionária: sindicatos, movimentos e, sobretudo, um partido capaz de organizar a tomada do poder para executar a revolução de forma permanente, pôr um fim ao regime do capital e, com isso, o fim da exploração do homem pelo homem, raiz da miséria. Um partido que lute pela expropriação da burguesia, para que os trabalhadores controlem a tecnologia e a produção, e possam construir um futuro livre da sobrevivência forçada.

Por isso, convocamos os trabalhadores a se organizarem na OCI e, com métodos revolucionários, usar nosso conhecimento em prol da derrubada do sistema de desespero que é o capitalismo, construindo um mundo que alcance o verdadeiro potencial humano. Junte-se ao ComunaTec.

  • Fim das demissões em massa!
  • Fim da escala 6×1!
  • Pelo controle operário dos meios computacionais!